A Rússia contratou uma rede de políticos e consultores britânicos para «ir atrás» dos inimigos do Presidente russo, Vladimir Putin, em Londres, avança o “The Guardian”, citando um relatório de 50 páginas que estaria pronto para ser publicado em Novembro passado, antes das eleições, mas que o primeiro-ministro britânico Boris Johnson terá recusado publicar.
Nos documentos confidenciais entregues ao Comité de Inteligência e Segurança do Parlamento do Reino Unido, a que o jornal britânico teve acesso, Bill Browder, director executivo do fundo de investimentos Hermitage Capital e crítico de Putin, afirma que Moscovo conseguiu infiltrar-se na sociedade britânica através de intermediários ingleses bem pagos. Alguns tinham «razões para saber exactamente o que estão a fazer e para quem», disse Browder ao comité, acrescentando que outros «trabalham involuntariamente para os interesses do Estado russo».
Os alegados intermediários incluem políticos dos partidos trabalhistas e conservadores, ex-oficiais e diplomatas dos serviços secretos, e empresas de relações públicas líderes.
De acordo com Browder, Moscovo utiliza estas redes para mascarar os seus interesses estatais e criminosos, assim como para atacar os críticos de Putin, «aumentar a propaganda e desinformação russa» e para «facilitar e ocultar operações maciças de lavagem de dinheiro», acusa o responsável pela chamada lista «Magnitsky» que o Kremlin odeia.
Em reacção, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse que as alegações do investidor americano são falsas e «totalmente infundadas». «É um exemplo perfeito de russofobia», atirou.
O “The Guardian” escreve também que o executivo britânico insiste que o relatório inclui poucas informações novas e que é pouco convincente.
Nascido nos Estados Unidos, mas estabelecido no Reino Unido, Browder criou o Magnitsky Act em 2012, uma série de sanções norte-americanas contra altos funcionários russos acusados de corrupção.








