Rússia abre a porta a traficantes, contrabandistas nucleares e líderes de gangues para reforçar guerra na Ucrânia

Moscovo continua a enfrentar dificuldades para recrutar soldados suficientes para compensar as perdas no campo de batalha

Francisco Laranjeira

A Rússia aprovou uma nova lei que alarga significativamente o leque de reclusos que podem trocar a prisão pelo serviço militar na guerra da Ucrânia, numa altura em que Moscovo continua a enfrentar dificuldades para recrutar soldados suficientes para compensar as perdas no campo de batalha.

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A legislação, aprovada pela Duma Estatal, permite que condenados por crimes como tráfico de seres humanos, contrabando de materiais nucleares, roubo de substâncias nucleares, organização de redes de imigração ilegal, banditismo ou perda de documentos classificados como segredo de Estado possam integrar as forças armadas. Em troca, os antecedentes criminais poderão ser apagados.

Segundo a imprensa russa, a proposta foi apresentada pelo Governo na semana passada e aprovada poucos dias depois, com o objetivo de aumentar o número de potenciais recrutas.

O vice-ministro da Defesa russo, Viktor Goremykin, afirmou aos deputados que estes condenados serão colocados em “unidades especiais”, separadas dos militares contratados que já servem nas forças armadas e não têm antecedentes criminais.

A lista de crimes agora abrangidos inclui ainda contrabando de dinheiro, armas, explosivos, drogas, agentes biológicos patogénicos e materiais nucleares, bem como infrações relacionadas com a segurança de instalações energéticas e nucleares.

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Ex-presidiários já foram associados a centenas de homicídios

A decisão surge meses depois de uma investigação do meio de comunicação russo ‘Vёрстка’ revelar que militares regressados da guerra na Ucrânia terão matado pelo menos 551 pessoas em território russo.

Segundo essa investigação, mais de metade das vítimas terá sido assassinada por antigos reclusos que tinham sido libertados para combater na Ucrânia e regressaram posteriormente ao país.

Lei surge em plena dificuldade de recrutamento

A aprovação da nova legislação coincide com informações divulgadas pelos serviços de informações militares da Ucrânia, segundo as quais a Rússia está longe de atingir os objetivos de recrutamento definidos para este ano.

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De acordo com Kiev, Moscovo pretendia assinar 409 mil contratos militares em 2026, mas, até julho, apenas cerca de 195 mil tinham sido formalizados.

As autoridades ucranianas estimam ainda que a Rússia tenha perdido cerca de 196.700 militares desde o início do ano, incluindo mais de 115 mil baixas consideradas irrecuperáveis, além de dezenas de milhares de feridos e cerca de mil soldados capturados.

Nos últimos meses, vários relatórios apontaram igualmente para dificuldades no recrutamento, apesar dos incentivos financeiros oferecidos aos voluntários, incluindo problemas em preencher as novas unidades dedicadas a sistemas não tripulados.

Entretanto, responsáveis ucranianos afirmam que Moscovo poderá avançar com uma mobilização de até 500 mil militares durante o outono, numa tentativa de reforçar as suas forças na Ucrânia. Essas declarações não foram confirmadas pelas autoridades russas.

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