A Rússia parece estar a preparar-se para fazer testes com um míssil nuclear, ou recentemente terá feito um ensaio com este tipo de arma, segundo parecem sugerir dados de aviação e imagens de satélite recolhidos pelos EUA.
Movimentos de aeronaves de de veículos uma base russa na região remota do Ártico, verificados em imagens de satélite cedidas pelo Planet Labs ao The New York Times, são consistentes com os preparativos já anteriormente feitos antes do teste do Burevestnik or SSC-X-9 Skyfall, em 2017 e 2018, segundo indicam especialistas ao mesmo jornal.
Foram também detetados aviões de vigilância dos EUA perto da área nos últimos dias e, nas últimas duas semanas, têm-se verificado alertas para que todos os pilotos evitem aquele espaço aéreo e zonas próximas.
A Rússia conduziu 13 testes com este míssil nuclear, que se saibam, entre 2017 e 2019, todos sem sucesso de acordo com um relatório da Nuclear Threat Initiative. Nos testes anteriores, o míssil, que tem um alcance estimado de quase 23 mil quilómetro, voou no máximo cerca de 45 Km antes de cair no mar.
O mesmo relatório indica que a arma em causa é “de segundo ataque, estratégica e de longo-alcance”, pelo que seria usada num cenário após uma onda de ataque que tivessem devastado alvos na Rússia. Um míssil deste teria potencial para destruir grandes áreas urbanas e arrasar alvos como bases militares.
Pouco se sabe exatamente sobre este míssil, que é uma de seis armas estratégicas do Kremlin, tais como o míssil-balístico Kinzhal ou o veículo Avangard que, segundo indicou Putin em 2018, são capazes “de contornar e ganhar às defesas norte-americanas existentes”.
Em imagens de satélite, captadas entre 20 e 28 de setembro, é possível ver vários veículos próximos do local de lançamento habitual do míssil, incluindo o camião com um grande atrelado e cujas dimensões são consistentes com as do míssil.
O abrigo usado para tapar a plataforma de lançamento foi movido, na manhã de 20 de setembro e, a tarde, foi poste de volta a cobrir o equipamento.
Depois, novamente a 28 de setembro, verificou-se o mesmo movimento. A 31 de agosto as autoridades russas emitiram avisos à aviação a anunciar “área de perigo temporário” num raio de 19 quilómetros de Pavonko, alertas que têm sido mantidos várias vezes, e que se encontravam ativos ainda no domingo. Deverá manter-se até dia 6 de outubro, olhando aos avisos anteriores emitidos pela Rússia aquando de testes com o Burevestnik.
Uma aeronave das Forças Armadas russas, habitualmente usada para fazer as medições, também foi detetada por radares a voar nas redondezas da base de testes. A Casa Branca recusou comentar as informações, ainda que se tenham também detetado operações de uma aeronave de vigilância dos EUA, um RC-135W Rivet Joint, que passou duas vezes pela ilha no Ártico onde os testes nucleares da Rússia são habitualmente conduzidos, a 19 e 26 de setembro.
Russia May Be Planning to Test a Nuclear-Powered Missile: Visual evidence from a remote base in the Arctic shows launch preparations mirroring those that preceded earlier tests. pic.twitter.com/MrYrZq72kl
— ANA Global News (@ANAnewsglobal) October 2, 2023














