Rumo à normalidade? Governo e peritos reúnem-se hoje no Infarmed com possível alívio de medidas em vista. Saiba o que pode mudar

O Governo reúne-se esta quarta-feira com os especialistas, no Infarmed em Lisboa, com um possível alívio de medidas em cima da mesa, uma vez que a situação pandémica tem estado a progredir de forma favorável.

Simone Silva

O Governo reúne-se na manhã desta quarta-feira com os especialistas, no Infarmed em Lisboa, com um possível alívio de medidas em cima da mesa, uma vez que a situação pandémica tem estado a progredir de forma favorável.

Alívio gradual de medidas é consensual 

A maioria dos especialistas concorda que Portugal tem condições para um levantamento gradual das regras de combate à pandemia, pelo menos para a generalidade da população.

“Temos de passar para uma fase em que cingimos as medidas restritivas aos centros onde estão as pessoas mais fragilizadas, unidades de saúde e lares, de resto acho que existem razões para acreditar que podemos aliviar algumas das medidas que ainda estão em vigor”, refere o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, à Multinews.

“Estamos a abandonar o inverno, as pessoas vão passar mais tempo cá fora e devemos manter as restrições e vigilância em torno dos grupos de risco, de resto, para o comum dos mortais, penso que podemos relaxar as medidas”, defende.

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Também o matemático Óscar Felgueiras é da mesma opinião. “O importante é que haja um levantamento gradual de algumas regras. O Rt (índice de transmissão) está abaixo de 1 e a linha vermelha nos cuidados intensivos ainda não foi atingida. Já estamos na fase descendente”, afirma.

“Estamos exatamente numa fase oportuna para pensar no alívio das restrições, porque estamos na parte descendente da onda da Ómicron, com o Rt [índice de transmissibilidade] abaixo de 1 e uma diminuição dos casos”, complementa o Presidente da Associação Nacional dos Médicos de saúde Pública, Gustavo Tato Borges.

Que regras podem ser levantadas?

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Assim, uma das regras que pode vir a ser aliviada é o isolamento, havendo a possibilidade de as pessoas infetadas e sem sintomas poderem vir a ser dispensadas de cumprir essa obrigação.

“A DGS há de rever os períodos de isolamento como já foi anunciado, porque apesar de tudo permanecemos com mais de um milhão de isolados”, e isso deve ser revisto, defende Óscar Felgueiras.

A par disso, também o uso da máscara pode passar a ser obrigatório apenas em situações de risco, nomeadamente para visitar os doentes, em contexto hospitalar e médico, em profissionais de saúde e em pessoas com sintomas, sendo dispensável para a maioria dos restantes casos.

“Não creio que seja necessária a recomendação de teletrabalho, nem usar máscara na rua e os isolamentos poderão ser reduzidos, agora tudo gradualmente”, reitera Carmo Gomes.

Prevê-se ainda que os limites de lotação que persistem em alguns locais deixem de existir, porque se está “a começar a entrar no bom tempo, a usar mais o ambiente externo, onde a circulação do ar é favorecida”, refere Tato Borges.

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Também os programas de testagem massiva devem ser aliviados, dando lugar apenas a testes mais residuais, para casos específicos. “É natural que a testagem massiva caia, mas temos de manter ainda alguma testagem para as populações mais vulneráveis, para as situações de maior risco de transmissão”, aponta a investigadora Raquel Duarte.

Também pode ser levantada a obrigatoriedade de apresentar certificados de vacinação para entrar nos diferentes espaços, uma vez que “a grande maioria” da população elegível está vacinada ou recuperada, defende Tato Borges.

Governo defende cautela no alívio de restrições

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, disse ontem que é de esperar um “alívio nas restrições” impostas pela pandemia de covid-19, mas que esse alívio será “progressivo, gradual, cauteloso”.

Os indicadores, “quer ao nível da incidência, quer ao nível do índice de transmissibilidade, quer ao nível da pressão sobre os serviços de saúde, são bons e dão-nos algum otimismo, alguma confiança, alguma tranquilidade, para podermos acreditar que, sim, vamos ter alívio nas restrições”, reconheceu.

No mesmo dia, a diretora geral da saúde, Graça Freitas, recomendou, um alívio “progressivo e em segurança” das medidas, sublinhando que Portugal está “no bom caminho”, apesar do fator de “gravidade”, ou seja, o número de óbitos por milhão de habitantes.

“Não podemos ter sobressaltos nesta descida. Queremos chegar à primavera e aos meses mais quentes numa fase de recuperação. Nós temos ondas e queremos ter um espaço para recuperar deste movimento interondas”, explicou.

Já o Presidente da República afirmou que a reunião de hoje no Infarmed antecede uma já esperada “redução das restrições” que “representa uma nova fase em termos da transição da pandemia para a endemia”.

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que tem havido “uma diminuição do número de casos, progressiva e sustentada” e também “uma diminuição do número de internamentos, nomeadamente em cuidados intensivos, e do número de mortos. Portanto, tudo a caminhar no mesmo sentido”.

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