Rui Pinto tem colaborado com Ucrânia: hacker faz análise de imagens de vigilância e interceção de comunicações das forças russas

Em tribunal, esta segunda-feira, hacker responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR)

Francisco Laranjeira

Rui Pinto tem colaborado com informações para os serviços de inteligência da Ucrânia, revelou esta segunda-feira o hacker português no Tribunal Central Criminal de Lisboa: com terceiros, tenho “entregue informações aos serviços de inteligência ucraniana”. “Temos feito análise de imagens de vigilância em sítios estratégicos, também interceção de comunicações rádio utilizadas pelo exército russo”, indicou. “E o mais curioso é que isto é ‘open source intelligence’, fontes abertas. Um soldado ucraniano disse: ‘A nossa sorte é eles serem muito estúpidos'”, afirmou.

Rui Pinto, de 33 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada.

O hacker garantiu, em tribunal, que no projeto Football Leaks “foram cometidos erros” mas que “trouxe grandes benefícios para a sociedade”. “Foi revelada muita situação que de outra forma não teria sido conhecida”, precisou. Mas, sabendo o que sei hoje, não me voltaria a meter numa coisa destas. Basicamente, a minha vida está de pernas para o ar, a minha família tem sofrido bastante. E o que me custa é o facto de nenhum dos envolvidos nas denúncias dos [Football] Leaks, dos Malta Files, dos Luanda Leaks ter ficado em prisão preventiva”, precisou.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto de 2020, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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