Rui Lopes Ferreira, Super Bock Group: XVII Barómetro Executive Digest

Este barómetro revela na minha perspectiva uma visão muito consistente dos empresários inquiridos, e creio acima de tudo muito realista. Na verdade, mais de metade apenas espera o regresso das actividades à normalidade dentro de 12 a 24 meses. Tudo menos surpreendente, embora todos ansiemos que possa ser mais rápido. E é também um indício da rigidez estrutural da nossa economia, a qual com base em diversos estudos efectuados por instituições credíveis demorará mais a recuperar do que outras que nos são próximas. Ainda assim, considero que tem sido notável a capacidade de resiliência dos vários agentes económicos, o que é precisamente referido pelo painel como a palavra-chave de 2021, e em relação ao qual não poderia estar mais de acordo. Efectivamente, a par da flexibilidade que é apontada como o factor decisivo para preparar as empresas para o futuro, esta resiliência do tecido empresarial português tem sido notável se tivermos em conta as dificuldades que se vão sentindo para fazer chegar ao terreno todos os apoios prometidos e divulgados, bem como o leque pouco abrangente do pacote de apoio global, demasiado suportado em moratórias e mecanismos de dívida (e sabidamente um dos mais pequenos em termos europeus, por razões que apesar de tudo são compreensíveis em função das limitações orçamentais do país). No nosso caso em particular, o Super Bock Group está integrado num sector que vive da socialização e ambientes festivos, e, como sabemos, a actual situação não só criou limitações ao convívio como originou mudanças comportamentais nos consumidores; assim como também estamos dependentes da reabertura do Horeca (que é o nosso principal canal de comercialização) e do Turismo para o desenrolar normal da nossa actividade. Nesta medida, para além da diminuição gradual das restrições em vigor, vemos como muito positiva a definição de uma proposta europeia comum para a criação de um certificado digital que ateste a vacinação e/ou testagem, a qual será determinante para a retoma, já que facilitará a circulação e movimentação de pessoas em condições de segurança. Por isto, flexibilidade e adaptabilidade, mas sobretudo a interiorização do conceito de sustentabilidade dentro da organização, têm sido determinantes para identificarmos novas oportunidades que possam estimular o negócio, incluindo a criação de soluções e o alargamento de modelos de negócio que permitem a comercialização e o acesso mais amplo às nossas marcas.

Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 181) da Executive Digest, no âmbito da XVII edição do seu Barómetro.



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