Rita Matias admite que Chega apoiará eventual candidatura de Passos Coelho a Presidente da República

Dirigente do partido de Ventura destacou que o antigo primeiro-ministro tem atualmente “muito mais bandeiras que se cruzam com o Chega” do que com o PSD, indicando uma proximidade ideológica entre Passos Coelho e o Chega.

Executive Digest

A deputada e dirigente do Chega, Rita Matias, abriu a porta a uma eventual aliança do seu partido com Pedro Passos Coelho numa possível candidatura presidencial em 2026. Em entrevista à Rádio Renascença, Matias destacou que o antigo primeiro-ministro tem atualmente “muito mais bandeiras que se cruzam com o Chega” do que com o PSD, indicando uma proximidade ideológica entre Passos Coelho e o Chega.

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Questionada sobre a responsabilidade do Chega em viabilizar o Orçamento do Estado, Matias foi clara: “O Chega não tem responsabilidade absolutamente alguma,” afirmou. A deputada explicou que a responsabilidade pela atual situação política recai sobre o PSD e o CDS, que formaram um governo minoritário e escolheram manter o Chega fora da solução governativa. “É importante afirmarmos isto para não cairmos numa posição quase de chantagem,” acrescentou, criticando o Governo por, segundo referiu, tentar criar uma narrativa de vitimização e possivelmente fomentar uma crise política.

Sobre a possibilidade de eleições antecipadas, Matias disse: “Eu creio que o Governo está interessado em eleições antecipadas,” referindo-se ao comportamento recente de um ministro das Finanças que não descartou completamente essa possibilidade. A deputada manifestou a sua crença de que os portugueses estão “cansados de eleições” e que o cenário político atual, com negociações entre diferentes partidos, está a criar confusão entre os eleitores.

Em relação às consequências da não aprovação do Orçamento, que poderia afetar aumentos para polícias e professores, Matias destacou: “O Chega quer ver essas classes profissionais justamente remuneradas.” Criticou ainda a solução proposta pelo Governo para as forças de segurança, considerando-a “não justa”, e reafirmou que o partido não pode ceder a chantagens que prejudicariam outras bandeiras importantes, como a valorização dos profissionais de saúde.

Comparação entre Governos e Medidas de Apoio

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Matias também abordou as diferenças entre o atual Governo e o governo anterior do PS. “Eu acho que ainda há uma ligeira diferença entre o PS e o PSD,” observou. Segundo a deputada, Luís Montenegro parece estar a tentar “apresentar medidas de cartaz,” enquanto António Costa tinha um “aparelho de Estado mais dominado.” Matias criticou as medidas de apoio à compra de casa para jovens, dizendo que “a questão principal é que, mesmo com a garantia pública de apoio ao valor da entrada de uma casa, isto não vai colmatar a falha principal, que é a indisponibilidade de casas.”

Sobre a imigração, Matias rejeitou a ideia de proibir estrangeiros de comprar casa em Portugal, afirmando que essa medida parecia “quase do Bloco de Esquerda.” Em vez disso, defendeu um sistema de regulamentação que permita uma imigração regulada e que combata a especulação imobiliária de maneira justa. “Não é por aí o caminho,” disse, referindo-se à ideia de proibir a compra de imóveis por estrangeiros.

Polémica Relacionada com Kylian Mbappé

Rita Matias também abordou a controvérsia em torno de uma publicação que fez durante o Europeu de Futebol, na qual usou a legenda “França aos Franceses” em uma foto de Kylian Mbappé. “A palavra que hoje foi banida do espaço público é aculturação,” afirmou Matias, esclarecendo que não tinha a intenção de desrespeitar a nacionalidade de Mbappé. A deputada explicou que o comentário surgiu em resposta a declarações de Mbappé e outros jogadores contra o partido de extrema-direita Rassemblement National. “O comentário era mesmo meramente em relação a uma publicação anterior,” disse Matias, referindo-se à sua tentativa de criticar a agenda migratória de Mbappé. “Percebi que, infelizmente, não tenho tanto sentido de humor como achava,” lamentou, reconhecendo que o seu post foi mal interpretado.

Sobre o desempenho do Chega nas eleições europeias, Matias refletiu: “Tivemos incapacidade de perceber que o eleitorado que o Chega conseguiu alcançar em março foi, sobretudo, um eleitorado abstencionista.” A jovem atribuiu o resultado abaixo do esperado à dificuldade de mobilizar esse eleitorado específico e ao facto de que as eleições europeias podem não ter sido as mais mobilizadoras.

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A deputada também elogiou António Tânger Corrêa, cabeça de lista do Chega às eleições europeias, dizendo que ele é “o mais bem preparado do ponto de vista de carreira e de vida pessoal e profissional para estar no lugar onde está hoje.”

Liderança de André Ventura e Perspetivas para as Autárquicas

Sobre a liderança de André Ventura, Matias foi enfática: “André Ventura é um génio político, é o maior animal político que existe na arena político-partidária em Portugal.” Ela elogiou a capacidade de Ventura em fundar e liderar o Chega, apesar das dificuldades enfrentadas. Matias acredita que o partido está agora mais pacificado e preparado para os desafios futuros.

Em relação às próximas eleições autárquicas, Matias manifestou otimismo: “O Chega vai definir, como costuma definir, um resultado alto e ambicioso.” A deputada sublinhou que o partido está a preparar uma campanha focada nas necessidades locais e na proximidade com os eleitores. Quanto à candidatura para a Câmara de Lisboa, Matias afastou a possibilidade de se candidatar, afirmando que o seu compromisso atual está com o distrito de Setúbal. “Por agora, sou cabeça de lista no Distrito de Setúbal,” disse.

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