Risco das empresas ao sabor da crescente tensão nas relações comercias e políticas

Aumenta o risco para as empresas multinacionais em 2020, diante da escalada de tensões comerciais que resultarão na persistência da incerteza económica e política globais.

Sónia Bexiga

A escalada de tensões comerciais ao longo de 2020 que resultarão na persistência da incerteza económica e política globais para as empresas multinacionais, vão ditar o ritmo de evolução da atividade das empresas, a nível mundial, segundo apurou o mais recente relatório da Marsh, especialista em consultoria de risco e corretagem de seguros, divulgado esta quarta-feira.

De entre as principais conclusões do Mapa de Risco Político 2020, que reflete também considerações do Global Risks Report 2020 do World Economic Forum, que revelou que os confrontos económicos entre grandes potências estão entre os principais riscos de 2020, destacam-se pontos como na sequência do Brexit, as negociações do Reino Unido sobre o futuro da sua relação com a Europa continuarem a dominar o panorama de risco político nesta região; assim como o facto de ser expectável que a relações entre os Estados Unidos e o Irão e a tensão entre a Rússia e o Ocidente continuem durante este ano.

Evidenciam-se ainda as pontuações do índice de risco político a curto-prazo para grande parte dos países da América Latina – incluindo a Colômbia, o Chile, o Equador, o Haiti, Bolívia e Argentina – que se deterioram à medida que os governos enfrentem mais dificuldades em equilibrar a estabilidade social e as reformas económicas. Já o índice de pontuação de risco político a curto-prazo do Brasil melhorou em 2019, entre reformas contínuas de políticas económicas atraentes.

Marsh aponta para continuidade do Governo português, em nome da “prudência fiscal”

Segundo a Marsh, “é provável que Portugal se mantenha mais quatro anos sob mandato de um governo de esquerda, prudente em termos fiscais”, liderado pelo primeiro-ministro António Costa, cujo Partido Socialista ganhou mais 22 lugares no Parlamento Português num universo de 230 deputados, após as últimas legislativas em outubro de 2019.

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O governo minoritário de António Costa irá apoiar-se num pequeno grupo de partidos à esquerda para conseguir governar numa base de acordos de incidência pontual, embora a Fitch Solutions acredite que este sistema apenas se provará sustentável no decorrer do mandato parlamentar. Isto fará com que o governo continue com uma política fiscal prudente, reduzindo a dívida pública e o desemprego em 2020 e nos anos subsequentes.

No entender de Carlos Figueiredo, diretor de Financial Risks & Specialties da Marsh Portugal, embora o Mapa de Risco Político deste ano trace um panorama de desafios económicos e geopolíticos, “existem ainda importantes áreas de oportunidade para empresas que estão preparadas para navegar num ambiente de risco dinâmico e complexo”.

“Desenvolver um conhecimento mais aprofundado sobre os riscos políticos que as empresas enfrentam, em paralelo com um seguro de risco político, pode ajudar as organizações a gerir a sua exposição a este risco e a compreender inteiramente as oportunidades de crescimento global do negócio e qual o seu investimento”, reforça o responsável.

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