Ricardo Mexia: Se a decisão fosse hoje, ensino secundário e superior e os centros comerciais “provavelmente abriam” dia 19. Mas ainda é “precoce” fazer essa avaliação

O Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, considera que se a decisão de avançar ou não para a próxima fase do desconfinamento fosse tomada hoje, provavelmente seria positiva, no entanto ainda é «precoce» fazer essa avaliação.

«A decisão (de avançar ou não com o desconfinamento) tem de ser tomada mais perto do momento em que isso venha a acontecer», o que se espera que seja a 19 de abril. «Acho que agora é precoce estar a fazer essa avaliação», defende.

No entanto, «com os dados que temos hoje talvez pudéssemos avançar, com a ressalva de que estes casos não refletem ainda o que se passou na segunda-feira» (abertura das escolas do 2.º e 3.º ciclos e retoma de outras atividades), sublinha.

Ricardo Mexia considera que são necessários «dados mais robustos para que essa decisão possa ser tomada em consciência» e que até lá «não é útil especular», até porque «o Rt é calculado a cada momento, tendo em conta a data de início de sintomas e que as pessoas que tiveram sintomas hoje não são diagnosticadas hoje», esclarece.

«Os dados são os que temos agora e em função deles provavelmente não se coloca grande questão (no que respeita ao desconfinamento)». O índice de transmissão (Rt) está já acima de 1 e é preciso alguma cautela na decisão, no momento em que ela for tomada logo se vê em que situação estamos», indica.

Questionado precisamente sobre a subida do Rt, o especialista considera «normal» e acredita que não vai ficar por aqui, mas volta a ressalvar que é necessário avaliar a situação no momento em que ela evolui, sem antecipar cenários.

«É plausível, como sempre foi, que quanto menos restrições temos, maior será o índice de transmissão», isto porque, explica, «a disseminação da doença aumenta com os contactos sociais e uma maior interação, é absolutamente normal», refere.

Desta forma, «é muito provável que o Rt venha a aumentar nos próximos dias, até porque os casos atuais não refletem a segunda fase de desconfinamento que arrancou na segunda-feira, ainda deve demorar algum tempo», adianta sublinhando que «talvez no início da próxima semana possamos ver essa repercussão». Até lá é ir «avaliando a situação», conclui.

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