O líder português que adoça o negócio de uma gigante mundial

João Sagreira Garcia lidera a Mars Wrigley Iberia. Da capital da Catalunha, define a estratégia do grupo nos mercados de Portugal e Espanha.

André Manuel Mendes

Depois de quatro anos a liderar a operação portuguesa da Mars Wrigley, João Sagreira Garcia assumiu um novo desafio na sua carreira: tornar-se General Manager Iberia da empresa que detém marcas icónicas como M&M’s, Snickers ou Orbit.

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Sediado em Barcelona, o gestor português é agora responsável por definir a estratégia e impulsionar o crescimento da Mars nos mercados de Portugal e Espanha – uma missão que encara com entusiasmo, mas também com o sentido de responsabilidade de quem conhece bem a cultura e o ADN da organização.

À frente de uma operação que integra equipas multiculturais e mercados distintos, o gestor português destaca a importância de uma liderança baseada na escuta activa, na empatia e na visão estratégica. “Acredito que a liderança se faz na escuta activa, no exemplo e na criação de um ambiente de confiança”, sublinha, reflectindo uma abordagem moderna e humana à gestão de equipas.

Em entrevista à Executive Digest, João Sagreira Garcia fala sobre o desafio de liderar a Mars Wrigley Iberia, as diferenças entre o consumidor português e o espanhol, o papel da sustentabilidade e da inovação no futuro do sector e a experiência de viver fora de Portugal – sem nunca perder o elo com as suas origens.


O QUE DIZ JOÃO…

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Como surgiu o desafio de ser General Manager Iberia de uma empresa como a Mars?

Eu geria a unidade de negócio em Portugal há sensivelmente quatro anos, desde o início da pandemia, e este foi o passo natural na minha evolução dentro da Mars. É uma empresa que aposta verdadeiramente no desenvolvimento das suas pessoas e no talento interno (actualmente as promoções internas representam 88%), e este desafio surgiu como reconhecimento do trabalho feito, mas também como uma oportunidade de crescer e impactar ainda mais o negócio. Liderar a operação ibérica é uma responsabilidade que encaro com orgulho e com grande entusiasmo.

A mudança para a Catalunha aconteceu também de forma natural, aliás, de uma perspectiva mais pessoal, toda a família encarou como um desafio que poderia ser muito positivo. Estamos muito felizes em Barcelona.

Quais as suas principais funções e como é o seu dia-a-dia?

O meu papel envolve definir a estratégia para os mercados de Portugal e Espanha, assegurar a execução eficaz das prioridades e, acima de tudo, liderar as nossas equipas. O dia-a-dia é muito variado: desde reuniões de alinhamento estratégico, decisões operacionais, visitas a clientes ou a momentos de proximidade com as equipas. Faço questão de estar presente e acessível, porque acredito que a liderança se faz na escuta activa, no exemplo e na criação de um ambiente de confiança.

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O que mais o fascina na indústria em que trabalha?

Fascina-me o dinamismo do sector Fast-Moving Consumer Goods (FMCG), a velocidade de resposta ao mercado e, sobretudo, a magia das categorias e marcas que temos. Trabalhar com marcas icónicas como M&M’s, Snickers ou Orbit, que despertam emoções e memórias nos consumidores, é algo verdadeiramente especial. Existe um equilíbrio desafiante entre a gestão rigorosa do negócio e a criatividade que estas marcas permitem, e é isso que torna esta indústria tão única.

Quais as principais diferenças entre o perfil de consumo dos portugueses e do espanhol?

Diria que o mercado em Portugal é mais dependente de promoção e o consumidor é, aparentemente, mais sensível ao preço. Já o mercado espanhol é significativamente mais fragmentado; há uma diversidade maior de canais e players regionais, o que exige uma abordagem mais segmentada. Em ambos os casos, temos de adaptar a forma como levamos as nossas marcas ao consumidor, respeitando as especificidades culturais e comerciais de cada país.

VISÃO ESTRATÉGICA, EMPATIA E COLABORAÇÃO SÃO PILARES ESSENCIAIS NA LIDERANÇA. TER UMA VISÃO CLARA DO CAMINHO É FUNDAMENTAL

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Quais são as habilidades e características que considera mais importantes para liderar uma equipa bem-sucedida nesta área?

Visão estratégica, empatia e colaboração são pilares essenciais na liderança. Ter uma visão clara do caminho é fundamental. Cabe ao líder definir uma direcção clara, inspiradora e alinhada com os objectivos do negócio, uma visão que una as equipas e dê sentido ao trabalho de cada um. Essa clareza é o que permite tomar decisões consistentes e manter o foco, mesmo num ambiente volátil. No entanto, é através da colaboração — dentro das equipas e entre áreas — que essa visão se concretiza, gerando inovação e resultados sustentáveis. Um bom líder sabe ouvir, valorizar diferentes perspectivas e criar um ambiente de confiança, onde todos se sintam motivados a contribuir e a crescer. Num sector tão competitivo como o nosso, o trabalho em equipa continua a ser um dos maiores factores de sucesso.

Que oportunidades acredita que podem ainda ser exploradas neste sector e como antevê o futuro?

Acredito que o futuro passa por três grandes eixos: sustentabilidade, digitalização e inovação contínua. O consumidor espera cada vez mais que as marcas sejam responsáveis e transparentes e, na Mars, estamos comprometidos com metas ambiciosas em matéria de sustentabilidade, desde a cadeia de abastecimento até às embalagens. Como empresa familiar, pensamos em termos de gerações.

Ao mesmo tempo, a digitalização está a transformar a forma como interagimos com o consumidor e como medimos o impacto das nossas acções. Há ainda muito espaço para crescer, sobretudo se conseguirmos combinar propósito e conveniência.

Como é que a experiência internacional reforça as capacidades de liderança de um executivo?

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Traz uma riqueza enorme. Na Ibéria temos colegas de mais de 10 nacionalidades diferentes e, nesta nova função, passei a fazer parte do cluster da Europa do Sul — que inclui 17 mercados, como, por exemplo, Ibéria, Itália, Grécia ou Sérvia — onde estão representadas mais de 20 nacionalidades. Só na equipa de liderança temos oito nacionalidades. Esta diversidade obriga-nos a ajustar a forma como comunicamos, a considerar diferentes perspectivas e a liderar com abertura e curiosidade.

Ao mesmo tempo, permite-nos aprender com as melhores práticas de outros mercados e partilhar também aquilo que fazemos bem — criando um ambiente de troca constante que nos enriquece a todos. É um desafio, sem dúvida, mas sobretudo uma fonte contínua de crescimento e aprendizagem.

Estando a viver fora de Portugal, como é que “mata saudades” do nosso país?

Primeiro, o facto de estarmos a poucas horas de avião ajuda muito, e temos também muitas visitas de amigos e família de Portugal, o que faz com que o nosso país continue muito presente no nosso dia-a-dia. Fazemos questão de viver como portugueses e manter alguns rituais que nos permitem, diariamente, manter viva a ligação a Portugal. Em segundo lugar, é preciso notar que, apesar de Lisboa ser uma cidade fantástica, Barcelona não é assim tão diferente. Desde logo, do ponto de vista cultural. É um lugar muito cosmopolita, multicultural, tem mar, comida maravilhosa e muita animação. Por outro lado, sinto que estamos a descobrir, em Barcelona, a cidade a partir da perspectiva de quem nela vive, e não como turistas — e é uma experiência completamente diferente. Apesar de ser maior do que Lisboa, Barcelona organiza-se num conjunto de pequenos bairros que, ao contrário do que eu esperava, proporcionam uma verdadeira vida de bairro: é possível andar a pé, levar os filhos à escola de bicicleta e viver um quotidiano muito mais próximo e humano. É algo de que estamos a gostar imenso.

 

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