Randstad Insight: Juntos a caminho de 2030

Agora que estamos na última década para realizar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU – adoptados pelos governos para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar prosperidade para todos até 2030 – é necessário que governos, empregadores e trabalhadores tomem medidas urgentes e rápidas. Novos compromissos que envolvem diversos stakeholders, incluindo parcerias público-privadas, podem ajudar a fornecer soluções como políticas activas do mercado de trabalho (PAMT). Essas políticas, a serem elaboradas pelos governos, irão aumentar a participação laboral, alargando a reserva de talentos e criando um mercado de trabalho sustentável e funcional que seja acessível a todos e não deixe ninguém para trás.

Alinhada com o objectivo final da Randstad de impactar a vida laboral de 500 milhões de pessoas em todo o mundo até 2030, a nossa publicação 2021 sustainability@work centra-se especificamente nos seguintes ODS da ONU: trabalho decente e crescimento económico (ODS 8), redução das desigualdades (ODS 10), igualdade de género (ODS 5), educação de qualidade (ODS 4) e parcerias (ODS 17).

Os desafios do mercado de trabalho, como uma maior digitalização, novas formas de trabalho, alterações demográficas, escassez de talentos e polarização do emprego, foram acelerados pela pandemia da COVID-19, pelos mercados de trabalho em mutação e pela natureza evolutiva do trabalho. Além disso, as preferências e atitudes laborais de indivíduos e organizações estão a mudar. Numa nota mais positiva, a digitalização ajudará a facilitar um bom equilíbrio entre o que é a vida profissional e a pessoal, de acordo com as necessidades individuais.

Estes desafios exigem parcerias fortes, com todos os stakeholders a assumirem responsabilidade pela sua própria peça do puzzle. Os governos precisam de preparar o terreno, fornecendo políticas e instrumentos, assim como princípios básicos, como um quadro regulamentar que assegure um trabalho decente para todos. Os empregadores devem fomentar todos os talentos, incluindo aqueles que necessitam de apoio para acederem ao mercado de trabalho. E, por fim, os trabalhadores devem estar mais conscientes de que precisam de investir em requalificação e reconversão, sendo as competências digitais indispensáveis; só então poderão navegar num mercado de trabalho em rápida mutação, agora e no futuro.

Através das PAMT, as colaborações públicas e privadas valiosas fornecem apoio extra àqueles que de outra forma teriam dificuldade em aceder ao mercado de trabalho e adquirir um emprego significativo. O sucesso destas políticas depende da medida em que estão alinhadas com as necessidades do mercado de trabalho. Por essa razão, os prestadores de serviços de emprego públicos e privados deveriam colaborar mais frequentemente para melhorar o resultado delas.

Dentro destas colaborações, é essencial recolher e partilhar dados precisos sobre o mercado de trabalho. Isto permitirá traçar as necessidades actuais e futuras em função das capacidades, permitindo-nos prever a procura do mercado de trabalho. Essas percepções do mercado de trabalho ajudam-nos a preparar-nos melhor para as realidades de amanhã e a fornecer aos trabalhadores as melhores informações sobre as suas opções. Os dados também tornam possível facilitar transições sem descontinuidades, baseadas em competências, permitindo uma personalização mais profunda para percursos de carreira individuais.

Em colaboração com o Impact Institute, a Randstad mediu o impacto e o valor para além dos números económicos desta parceria público-privada para todos os stakeholders envolvidos. Uma das principais conclusões é que se estima que as hipóteses de obter um emprego são quatro vezes maiores quando alguém é apoiado por programas. Como Randstad, disponibilizamos a nossa rede e base de dados de ofertas de emprego, e trabalhamos lado a lado com todos os stakeholders. Através da nossa experiência como intermediários do mercado de trabalho, orientamos e treinamos pessoas, encontrando a combinação certa para elas com um trabalho significativo e sustentável, e melhorando a sua empregabilidade contínua.

Como empresa, também participamos num grande número de iniciativas socialmente envolvidas e sustentáveis destinadas a ajudar as pessoas a encontrar um trabalho significativo e a desenvolver o seu talento e potencial. Todos os anos, a Randstad está envolvida no desenvolvimento de quase 100 programas de inovação social destinados a melhorar a empregabilidade das pessoas e a promover a igualdade de oportunidades para aqueles que necessitam de apoio adicional. Como parte deste relatório, fornecemos uma visão geral dos programas de inovação social que a Randstad desenvolveu para cada tema em apoio aos ODS da ONU, com o objectivo final de criar um mundo de trabalho que seja verdadeiramente sustentável e no qual ninguém seja deixado para trás.

PARTE I
As parcerias público-privadas como instrumento de políticas activas do mercado de trabalho

Os desafios do mercado de trabalho, como uma maior digitalização, trabalho remoto, escassez de talentos e polarização de empregos, foram acelerados pela pandemia COVID-19 e continuam a ser significativos. O mundo do trabalho transformou-se estruturalmente e temos de nos basear nestas mudanças para garantir que temos um mercado de trabalho adequado ao objectivo e à prova de futuro. Por conseguinte, é necessária uma acção urgente e rápida para assegurar que as políticas activas do mercado de trabalho (PAMT) globais e nacionais permaneçam centradas na consecução dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

➜ Conjugação de redes, conhecimentos e recursos

Estratégias eficazes de activação do mercado de trabalho nacional são cruciais, principalmente numa altura em que o mercado de trabalho está a mudar rapidamente e a deslocação de trabalhadores está a crescer. Estes programas governamentais servem como uma intervenção no mercado de trabalho para ajudar os desempregados a encontrar trabalho. Além disso, proporcionam uma infra-estrutura de serviços de emprego para a criação de parcerias com diversos stakeholders. Através do seu objectivo partilhado – fornecendo esse trampolim adicional para o mercado de trabalho àqueles que mais necessitam –, os prestadores de serviços de emprego públicos e privados podem contribuir para a eficácia das PAMT. Ao conjugarem as suas redes de mercado de trabalho, conhecimentos e recursos, serão capazes de atrair o maior número possível de pessoas para o mercado de trabalho.

➜ Da formação e apoio ao rendimento até ao emprego

Os principais factores destas PAMT consistem em prevenir o desemprego, aumentar as oportunidades para os candidatos a emprego, e melhorar a correspondência entre empregos (vagas) e talentos. As políticas do mercado de trabalho são variadas e incluem mecanismos de procura de emprego, formação, incentivos ao arranque, apoio ao rendimento (subsídios de desemprego), criação directa de emprego, e muito mais.

➜ Promoção de parcerias públicas – privadas

Os decisores políticos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho, a OCDE, o Banco Mundial e a Comissão Europeia apoiam as autoridades nacionais, parceiros sociais e serviços de emprego na avaliação da sua eficácia e na partilha das melhores práticas.

Ao mesmo tempo, a cooperação entre os prestadores de serviços de emprego públicos e privados é promovida por diferentes instrumentos internacionais, como é o caso da Convenção 181 da OIT e a Recomendação 188 sobre Agências de Emprego Privadas.

Estudos da Confederação Mundial do Emprego sublinham que um benefício importante para os governos que ratificam a Convenção 181 da OIT é a flexibilidade na relação das suas disposições com a legislação e a prática nacionais e o envolvimento dos parceiros sociais neste processo. Além disso, os benefícios de combinar os pontos fortes complementares das agências de emprego públicas e privadas são claramente reconhecidos e reconhecidos. A Convenção 181 da OIT promove uma abordagem de colaboração para aumentar a participação no mercado de trabalho, apelando a uma maior cooperação entre os serviços públicos de emprego e as agências de emprego privadas.

➜ Trabalho significativo e sustentável para todos

É importante notar que tanto os serviços de emprego públicos como privados são interveniente fundamentais no mercado de trabalho e podem beneficiar mutuamente da cooperação, uma vez que o seu objectivo comum é assegurar o bom funcionamento do mercado de trabalho e impedir o desemprego, encontrando um trabalho significativo e sustentável para todos. Mais especificamente, o Artigo 13 da Convenção estabelece que “de acordo com a lei e a prática nacionais e após consulta das organizações mais representativas de empregadores e trabalhadores, [os membros] formularão, estabelecerão e reverão periodicamente condições para promover a cooperação entre os serviços públicos de emprego e as agências de emprego privadas”.

As medidas para promover a cooperação entre o serviço público de emprego e as agências de emprego privadas poderiam incluir:

  • A partilha de informação e a utilização de terminologia comum, de modo a melhorar a transparência do funcionamento do mercado de trabalho;
  • O intercâmbio do anúncios de vagas;
  • O lançamento de projectos conjuntos (como, por exemplo, em formação);
  • A celebração de acordos entre um serviço público de emprego e agências privadas de emprego relativamente à execução de certas actividades, como sejam projectos de integração dos desempregados de longa duração;
  • Formação do pessoal;
  • Consultoria regular com vista a melhorar mais ainda as práticas profissionais.

➜ Enfrentar os desafios do mercado de trabalho

Apesar dos progressos significativos da campanha de vacinação COVID-19 em muitos países da OCDE e da reabertura gradual das suas economias, em Abril de 2021 havia ainda mais sete milhões de pessoas desempregadas do que antes do início da pandemia, e muito mais pessoas desanimadas à procura de emprego e pessoas com horários de trabalho reduzidos. Na recuperação ainda incerta, as PAMT desempenham um papel importante, uma vez que ajudam os trabalhadores deslocados a encontrar emprego mais rapidamente e facilitam a correspondência entre as pessoas à procura de emprego e as oportunidades de emprego emergentes. Ao mesmo tempo, as PAMT são necessárias para apoiar a integração no mercado de trabalho de grupos com grandes obstáculos ao emprego para criar um mercado de trabalho mais sustentável e inclusivo. Em resposta à crise da COVID- 19, governos em toda a OCDE estão a desenvolver ou a pôr em prática estratégias de médio e longo prazo para impulsionar a recuperação de empregos e estar mais bem preparados para futuros choques. Estas estratégias incluem a reformulação e o aumento das PAMT e o aumento do financiamento dos seus serviços públicos de emprego, em conformidade com as recomendações do relatório Perspectivas de Emprego 2021 da OCDE.

O Relatório Conjunto sobre o Emprego 2021 da Comissão Europeia, adoptado pelo Conselho Europeu a 9 de Março de 2021, salientou que «as políticas activas do mercado de trabalho são fundamentais para apoiar os ajustamentos do mercado de trabalho na sequência do choque da COVID-19». No mesmo relatório, concluiu-se que os serviços públicos de emprego «terão de ir além das formas tradicionais de trabalho» para lidar com um aumento do número de pessoas à procura de emprego e apoiar a sua redistribuição entre profissões ou sectores. Por essa razão, o relatório recomenda o investimento nos serviços públicos de emprego assim como o reforço das medidas políticas activas do mercado de trabalho, por exemplo, através do reforço da monitorização e avaliação das medidas já tomadas.

➜ O papel dos prestadores de serviços de emprego

A OCDE constatou que os serviços públicos de emprego (SPE) juntamente com os serviços privados de emprego (SPrE) têm desempenhado um papel fundamental no apoio aos que procuram emprego, aos empregadores e aos trabalhadores desde o início da pandemia. Apesar das restrições de distanciamento social, das dificuldades na prestação de serviços e das vagas de emprego limitadas, 41% de todos os desempregados contactaram os SPE para encontrar trabalho em 2020 na Europa (países da UE mais a Islândia, a Noruega, a Suíça) e na Turquia, apenas quatro pontos percentuais abaixo do valor de 2019. Além disso, 25% chegaram aos serviços de emprego privados em 2020, nos seus esforços de procura de emprego. Isto sublinha o importante papel dos SPE e dos SPrE na prestação de serviços de boa qualidade a um número crescente de pessoas.

➜ Perspectiva para o futuro depois da pandemia

No rescaldo da pandemia, estamos a enfrentar tanto uma activação como um desafio de transição, revela o relatório Perspectivas 2021 da OCDE. Não só precisamos de fazer com que as pessoas voltem ao trabalho, mas, para impedir o desemprego futuro, também precisamos de as colocar em sectores com perspectiva para o futuro. Parcerias eficazes entre os sectores público e privado desempenharão um papel crucial para o conseguir.

As Perspectivas da OCDE revelam que os países responderam rapidamente à actual recessão, fazendo ajustamentos às suas PAMT. Embora alguns destes ajustamentos não tenham exigido financiamento adicional (por exemplo, redistribuição de pessoal), a maioria dos países aumentou o seu financiamento para as PAMT ao longo de 2020, incluindo planos para novas alterações em 2021. Distinguem-se duas categorias principais de investimento para descrever estas alterações no financiamento:

  • Serviços do mercado de trabalho: Inclui o fornecimento público ou privado de aconselhamento a candidatos a emprego e gestão de casos, assistência financeira para ajudar a procura de emprego ou mobilidade para aceitar trabalho, e corretagem de emprego e serviços relacionados para empregadores, incluindo serviços semelhantes fornecidos por fornecedores privados mas com financiamento público. Os serviços do mercado de trabalho incluem também a administração de subsídios de desemprego, esquemas de retenção de emprego, e indemnizações por despedimento ou falência.
  • Medidas activas do mercado de trabalho: Inclui formação, incentivos ao emprego, emprego protegido e reabilitação, criação directa de emprego e incentivos para startups, todas dirigidas a desempregados e grupos estreitamente relacionados (por exemplo, aqueles que estão inactivos mas que gostariam de trabalhar, ou empregados que estão em risco conhecido de perda involuntária de emprego).O relatório Perspectivas de Emprego 2021 da OCDE afirma claramente que, embora seja demasiado cedo para avaliar a adequação da despesa pública com as PAMT em 2020 e 2021, os dados do passado sugerem que existe um risco claro de os países investirem demasiado pouco. Além disso, a eficácia da despesa pública dependerá de uma implementação bem-sucedida das medidas que foram – ou ainda serão – introduzidas ou adaptadas para apoiar a recuperação.Podem ser necessários investimentos adicionais numa série de áreas:
  • O investimento na requalificação e reconversão dos trabalhadores desempregados e deslocados é importante para apoiar a transição de emprego na recuperação e responder às mudanças na procura de competências trazidas pela automatização, digitalização e mudanças estruturais. Os programas de formação têm-se revelado particularmente eficazes durante recessões anteriores, uma vez que os efeitos de “travão” (inscrição em programas de formação que impedem um regresso precoce ao trabalho) tendem a ser menores. Assim, a formação expandiu-se durante a pandemia de modo a apoiar a redistribuição de trabalhadores e aumentar o número de trabalhadores em risco de deslocação, com os países a disponibilizarem lugares de formação adicionais e a passarem os seus cursos de formação da sala de aula para o online. Mais do que nunca, a actual crise sublinhou a importância de desenvolver as competências necessárias para aceder a várias ferramentas digitais, incluindo para a procura de emprego e formação online.
  • Em muitos países, foram introduzidas ou expandidas medidas para fomentar a criação de emprego e aumentar a procura de mão-de-obra. Quase dois terços dos países da OCDE e da UE aumentaram os seus incentivos ao emprego, e 42% dos países baixaram as contribuições para a segurança social para alguns ou todos os empregadores. Isto foi importante para preservar o emprego que tinha sido afectado por bloqueios económicos súbitos devido à COVID-19 e para evitar o afastamento de indivíduos do mercado de trabalho. O direccionamento específico dos incentivos ao emprego para grupos necessitados pode aumentar a sua eficácia e evitar o desperdício de dinheiro em subsídios para a contratação ou retenção de trabalhadores que de qualquer forma teriam sido contratados ou retidos. Muitos países têm, por conseguinte, direccionado as suas novas medidas para jovens à procura de emprego, desempregados de longa duração, pessoas com deficiência, desempregados mais velhos e outros grupos desfavorecidos. Outros países expandiram programas de criação directa de emprego no sector público e incentivos à criação de postos de trabalho. Outras mudanças na mistura e sequenciação das PAMT poderão ser necessárias à medida que os países entram no período de recuperação.
  • Esta crise corre o risco de deixar cicatrizes profundas em grupos vulneráveis marginalmente ligados ao mercado de trabalho, enfrentando obstáculos importantes ou múltiplos ao emprego. Os obstáculos à (re)entrada no mercado de trabalho incluem pouca experiência laboral (enfrentada por muitos jovens), obrigações de cuidados (particularmente entre mulheres com filhos pequenos), baixas competências e limitações médicas. Nem todos estes grupos aparecem no radar dos SPE, razão por que é importante identificar os grupos em risco e as suas necessidades, desenvolver estratégias eficazes de divulgação e fornecer apoio integrado, abrangente e bem direccionado. Isto, por sua vez, exige um bom intercâmbio de informação e cooperação entre as instituições relevantes responsáveis pela prestação de emprego, saúde, educação e serviços sociais, bem como apoio ao rendimento.
  • Além disso, serão necessárias avaliações às novas políticas e programas introduzidos em resposta à crise da COVID-19 para identificar as que são eficazes e as que são menos eficazes e que precisam de ser adaptadas ou extintas. Estes esforços deverão idealmente ser integrados num quadro mais amplo de elaboração de políticas baseadas em provas que permitam aos países realizar avaliações regulares e atempadas das suas políticas.

➜ O papel crucial dos dados para avaliar a procura

A partilha de dados precisos sobre o mercado de trabalho é essencial para o bom funcionamento das parcerias entre os sectores público e privado. Os dados ajudam a compreender melhor e a prever a procura do mercado de trabalho, delineando as necessidades e comparando-as com as capacidades. Subsequentemente, estas percepções do mercado de trabalho facilitarão a preparação para as realidades de amanhã e fornecerão aos trabalhadores a melhor informação sobre as suas opções. A análise avançada de dados também torna possível facilitar transições simples baseadas em competências para as pessoas, permitindo uma personalização mais profunda para percursos de carreira individualizados. Além disso, o uso de práticas de inteligência artificial (IA) pode oferecer uma solução para parcerias público-privadas com o intuito de ajudar a gerir a curto prazo a sua carga de processos relacionados com a COVID-19 e a criar capacidade para melhorar os resultados a longo prazo. Evidentemente, isto tem de ser feito em conformidade com os regulamentos de protecção de dados para proteger a privacidade dos utilizadores.

➜ Benefícios da Inteligência Artificial

Embora ainda nas fases iniciais, o uso de IA permitirá a colaboração público-privada para mitigar o fardo adicional que lhes é imposto pelo aumento do número de candidatos a emprego em resultado da pandemia COVID-19, principalmente ao longo de três dimensões:

  • Melhor adequação dos trabalhadores às vagas: A IA facilita uma melhor correspondência entre as pessoas que procuram emprego e as ofertas de emprego através da assimilação de dados sobre as competências existentes das pessoas que procuram emprego. Os algoritmos de aprendizagem detectam padrões emergentes que podem acelerar a reabsorção de trabalhadores deslocados em sectores que exigem conjuntos de competências semelhantes, e a IA pode processar rapidamente grandes grupos de pessoas à procura de emprego. Os dados por clique podem também ajudar a identificar a forma como os trabalhadores procuram vagas para melhorar as recomendações para os novos candidatos a emprego.
  • Melhor adaptação dos serviços e das PAMT: A COVID-19 não só aumentou substancialmente o número de casos de pessoas à procura de emprego em todos os países, como também alterou a sua composição, uma vez que alguns grupos foram mais afectados pela actual crise sanitária e económica do que outros. Isto pode resultar em ferramentas tradicionais de caracterização utilizadas pelos SPE – quer digitais, quer através da avaliação de casos – menos precisas, uma vez que estão a lidar com indivíduos desconhecidos. Os algoritmos de IA permitem um ajustamento rápido e consistente da definição de perfis com base nas novas informações sobre estes indivíduos, o que significa que os serviços podem ser adaptados e implantados à escala e com ritmo.
  • Maior eficiência e maior “self-service”: As exigências impostas a muitos SPE pelo rápido afluxo de novos candidatos a emprego significam que o apoio teve de ser racionado, uma vez que há menos pessoal por candidato a emprego. A disponibilização de coaching virtual através do uso de IA significa que os SPE com esta capacidade podem facilitar a correspondência e procura de emprego rápida e precisa para indivíduos que são potencialmente mais fáceis de colocar no mercado de trabalho, reservando o apoio para aqueles que mais necessitam. Isto tem benefícios potenciais tanto para a eficiência como para a equidade dos serviços de SPE.

No âmbito de toda esta análise, apontaríamos como pontos principais os seguintes:

  • As PAMT, incluindo as parcerias público-privadas, desempenham um papel fundamental na ajuda aos que procuram emprego, permitindo a qualificação e as possibilidades de formação, e fornecendo apoio extra àqueles que mais necessitam.
  • Serão necessários recursos adicionais para assegurar que os serviços e programas de emprego de alta qualidade sejam eficazes para ajudar as pessoas a regressar ao trabalho no rescaldo desta pandemia.
  • O investimento na requalificação e na reconversão dos trabalhadores desempregados e deslocados é importante para apoiar a transição de emprego e saber responder às mudanças na procura de competências trazidas pela automatização, digitalização e mudanças estruturais.

Artigo publicado na revista Executive Digest n.º 188 de Novembro de 2021

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