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Reviravolta. Fracasso do antiviral nos ensaios pode levar UE a rever contrato com fornecedora de Remdesivir

A União Europeia (UE) deverá renegociar um contrato de mil milhões de euros que selou na semana passada com a Gilead para um fornecimento de seis meses de Remdesivir, um fármaco que apresentou resultados fracos num ensaio conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Era um dos medicamentos que estava a ser utilizado para tratar pessoas com covid-19, no entanto, o antiviral Remdesivir, da Gilead Sciences, tem “pouco ou nenhum” efeito na sobrevivência dos pacientes, concluiu o ensaio clínico da OMS divulgado esta sexta-feira.

Os resultados foram divulgados uma semana após a UE ter anunciado o seu maior contrato até à data com a Gilead para o fornecimento de 500.000 doses do medicamento antiviral a um preço de 2070 euros por tratamento, que a empresa de biofarmacologia americana disse ser o padrão para as nações ricas.

A Comissão “precisa de apresentar as razões subjacentes à pressa em celebrar o último contrato com a Gilead e avançar para a sua revisão à luz dos resultados”, disse Yannis Natsis, que representa as organizações de doentes no conselho de administração da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês), o regulador de medicamentos da UE.

A UE anunciou, a 8 de Outubro, que tinha assinado o contrato de fornecimento com a empresa americana em nome dos 27 Estados-membros e 10 países parceiros, incluindo o Reino Unido.

A decisão da Comissão foi tomada depois de os países da UE terem sido alertados para a escassez do fármaco nos hospitais, depois de um novo surto de infeções em toda a Europa.

O contrato não obriga os países a comprar Remdesivir, embora os vincule ao preço acordado, adianta a agência Reuters.

“Como o tempo é essencial – estamos numa situação de emergência de saúde pública – temos de investir de cabeça não só no desenvolvimento de vacinas, mas também no acesso à terapêutica”, disse um porta-voz da Comissão Europeia.

Um investigador do Departamento de Farmacologia da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, Andrew Hill, referiu que a UE deveria rever os preços a serem pagos pelo Remdesivir. Porquê pagar mil milhões de euros por um medicamento sem efeitos na sobrevivência?”, questionou.

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