Reuniões familiares e viagens limitadas: Países europeus agravam restrições durante e após o Natal e Ano Novo

Vários países europeus estão a preparar-se para implementarem restrições mais apertadas durante e depois do Natal e Ano Novo, para travarem o provável aumento de casos após o período festivo.

Na Alemanha, o Governo e os 16 estados federais concordaram, no domingo, decretar um “confinamento rígido” entre a próxima quarta-feira e dia 10 de janeiro. As escolas e lojas não essenciais vão fechar.

As reuniões continuam a ser limitadas a cinco pessoas, mesmo em casa (sem contar os menores de 14 anos), embora as condições sejam ligeiramente relaxadas entre 24 e 26 de dezembro para permitir reuniões familiares.

Para a passagem do ano está decretada a “proibição de ajuntamentos” a nível nacional em espaços públicos e está proibida a venda e o uso de produtos pirotécnicos..

A Alemanha registou 16.362 novas infeções por covid-19 nas últimas 24 horas e 188 mortes, informou o Instituto Robert Koch (RKI). Na sexta-feira, 29.875 novos casos e 598 óbitos foram notificados, dois ‘máximos’ desde o início da pandemia.

A Itália também está a considerar implementar restrições mais rigorosas em todo o país durante o Natal e Ano Novo.

Depois de algumas regras terem sido relaxadas em novembro, centenas de compradores concentraram-se em vários centros da cidade, no domingo, enquanto o país relatava 484 mortes por covid-19.

No sábado, a Itália ultrapassou o Reino Unido e passou a ser o país europeu com o maior número de óbitos.

O Governo italiano pode decidir colocar o país na “zona vermelha” (a de maior risco) de 24 de dezembro a, pelo menos, 2 de janeiro, estendendo o toque de recolher noturno, proibindo movimentos não essenciais e fechando lojas não essenciais, bares e restaurantes nos fins-de-semana e feriados.

A Irlanda pode precisar de voltar a implementar algumas restrições em janeiro, informou o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, esta segunda-feira.

O país tem atualmente a menor taxa de incidência de covid-19 na União Europeia, depois de ter fechado temporariamente lojas, bares e restaurantes em outubro.

As pessoas vão poder viajar pelo país novamente a partir de sexta-feira e podem existir pequenos ajuntamentos em casa até dia 6 de janeiro.

“Poderemos estar a olhar para novas restrições em janeiro”, afirmou Micheál Martin à emissora nacional RTE, observando que as regras levantadas neste mês não foram tão rígidas como o confinamento inicial.

Nos Países Baixos, o primeiro-ministro Mark Rutte anunciou um segundo confinamento, durante mais cinco semanas. Este ‘lockdown’ é mais rigoroso do que o implementado em março e maio, já que prevê o encerramento de escolas, lojas não essenciais, museus, cinemas e teatros. Os bares e os restaurantes já estavam fechados desde outubro.

O primeiro-ministro holandês esteve em ‘reuniões de emergência’ esta segunda-feira a propósito do rápido aumento das infeções no país. Mark Rutte anuncie as medidas de confinamento mais rigorosas num raro discurso televisivo para o país, transmitido esta segunda à noite.

Houve uma subida de quase 10.000 casos de covid-19 nas 24 horas de domingo, de acordo com dados das autoridades sanitárias nacionais. Trata-se do maior aumento em mais de seis semanas.

Os ajuntamentos, mesmo que seja em casa, não podem incluir mais de duas pessoas fora do agregado familiar. Está prevista uma exceção no Natal, altura em que cada casa pode receber três adultos.

Em Inglaterra, o ministro da saúde britânico, Matt Hancock anunciou esta segunda-feira que Londres e partes de Essex e Hertfordshire vão passar para o nível três de restrições (o mais alto), depois de ter recebido o alerta de que os casos estavam a aumentar exponencialmente nestas regiões.

A medida, que abrange cerca de 10 milhões de pessoas, vai encerrar todos os restaurantes, bares e cafés nas áreas mais atingidas pela covid-19, a partir de quarta-feira. A restrição muda radicalmente o mapa de Inglaterra, onde anteriormente apenas a região de Kent se fixava no nível três de risco.

Para combater a pandemia, o Governo britânico dividiu o território em três níveis consoante a gravidade da situação epidemiológica, sendo que o um é o menos grave e três o mais grave. Neste último nível, as pessoas estão proibidas de se encontrarem em espaços exteriores, exceto jardins ou terraços. Além disso, a população é aconselhada a não viajar para fora da sua área de residência, exceto por motivos essenciais.

Também na República Checa, os restaurantes, hotéis e instalações desportivas cobertas que reabriram há duas semanas vão voltar a fechar a partir de sexta-feira, informou o primeiro-ministro Andrej Babiš, à medida que os casos começaram a aumentar novamente após terem caído no início do mês.

Os ajuntamentos passam a ser limitados a seis pessoas, tanto em espaços interiores como exteriores. O toque de recolher em todo o país é das 23h às 5h e o início das férias escolares de Natal foi antecipado, embora as lojas continuem abertas.

“O Natal deste ano será totalmente diferente, mas isso é o resultado da situação em que estamos”, disse o ministro da Saúde checo, Jan Blatný, numa entrevista.

Por último, na Suécia, que até agora tem adotado uma estratégia ‘suave’ no combate à pandemia, o primeiro-ministro Stefan Lövfen anunciou as recomendações para o Natal e Ano Novo. O contacto com pessoas que não pertençam ao mesmo agregado deve ser limitado a pessoas que pertençam à mesma “bolha” e não pode ultrapassar as oito pessoas.

Além disso, os ajuntamentos devem realizar-se ao ar livre, recomendou ainda o governante. O uso de transportes públicos e as idas às compras deve também ser evitado.

Portugal, pelo contrário, vai aliviar as restrições no Natal, o que deverá aumentar o número de casos e de mortes por covid-19, de acordo com uma estimativa feita por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. No limite, Portugal pode registar um acréscimo de 1500 óbitos no mês de janeiro.

Para estarem com a família, muitos portugueses estão a marcar testes à covid-19 para os dias que antecedem o Natal para poderem reunir-se em segurança, segundo a Unilabs Portugal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já pediu vigilância redobrada durante as celebrações do Natal e do Ano Novo, uma vez que o número de mortes semanais da covid-19 aumentou 60% nas últimas semanas.

“A época de festividades é um momento de descontração e de celebração, mas não devemos relaxar na nossa vigilância. A celebração pode rapidamente transformar-se em luto se não tivermos os devidos cuidados”, alertou o diretor-geral da OMS na sexta-feira, em conferência de imprensa.

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