Retoma no crédito à habitação: mais empréstimos, mais montante e regresso da procura adiada

Este impulso resulta não só de uma maior dinâmica no mercado imobiliário, mas também da necessidade de recorrer a financiamentos mais elevados, num contexto em que os preços das casas continuam historicamente altos

Executive Digest com ComparaJá.pt
Dezembro 14, 2025
9:00

O mercado de crédito à habitação em Portugal está finalmente a recuperar o fôlego após dois anos de travagem. O número e o montante de novos empréstimos cresceram de forma expressiva face a 2023, revelando uma retoma clara nas decisões de compra das famílias portuguesas, muitas delas adiadas durante o período de forte subida das taxas de juro.

De acordo com o mais recente relatório de crédito habitação do ComparaJá, tanto o volume de operações como o total financiado registaram aumentos significativos. Este impulso resulta não só de uma maior dinâmica no mercado imobiliário, mas também da necessidade de recorrer a financiamentos mais elevados, num contexto em que os preços das casas continuam historicamente altos.

A recuperação está fortemente ligada à “procura reprimida” dos últimos anos. Perante a incerteza provocada pelas rápidas subidas da Euribor e pelo encarecimento do crédito, muitas famílias optaram por adiar a compra da casa. Com as taxas agora mais previsíveis e uma oferta de produtos mais diversificada, esses projetos começam finalmente a sair da gaveta.

Outro fator determinante para esta retoma tem sido o alívio gradual das taxas de juro. As recentes descidas da Euribor em vários prazos estão a tornar as prestações mais comportáveis e pequenas variações podem representar diferenças de dezenas de euros por mês num crédito típico, impacto decisivo para o orçamento de muitos agregados.

Paralelamente, cresce a tendência para prazos de financiamento mais longos, frequentemente próximos dos 30 anos, estratégia utilizada por muitas famílias para reduzir o valor da mensalidade. Este alargamento permite acomodar o custo da casa no rendimento disponível, ainda que implique um compromisso financeiro prolongado.

Regista-se também a consolidação da taxa mista como principal escolha dos novos mutuários, superando largamente a taxa variável tradicional. Esta solução, que combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior indexada à Euribor, oferece um equilíbrio entre previsibilidade e potencial benefício futuro caso as taxas se mantenham controladas. Para muitas famílias, funciona como um “amortecedor psicológico e financeiro”, estabilizando a prestação nos anos mais sensíveis da gestão do orçamento.

O conjunto destes fatores, aumento do número de créditos, subida do montante médio financiado e adesão massiva à taxa mista, traduz-se num sinal de confiança renovada. Apesar dos desafios de acessibilidade, a aquisição de casa própria continua a ser um objetivo central para os portugueses, e o crédito mantém-se essencial para concretizar esse propósito.

Do lado das instituições financeiras, nota-se maior competitividade: campanhas comerciais, spreads ajustados e produtos mais segmentados por perfil de risco tornam o mercado mais dinâmico. A crescente utilização de plataformas de comparação, como o ComparaJá, reforça a transparência e contribui para consumidores mais informados.

Pedro Castro, Head of Operations de crédito habitação no ComparaJá, destaca que esta evolução não é apenas um “rebote estatístico”, mas um sinal claro de adaptação: “O aumento do número e do montante dos novos créditos à habitação mostra que as famílias portuguesas estão a reencontrar formas de concretizar o sonho da casa própria, mesmo num contexto exigente. Estão a alongar prazos, a escolher mais taxa mista e, sobretudo, a comparar mais propostas antes de decidir.”

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