O processo de revisão da legislação laboral regressa esta quinta-feira, 16 de abril, à Comissão Permanente da Concertação Social (CPCS), numa reunião que surge como potencialmente decisiva após meses de negociações marcadas por tensões e bloqueios.
A convocatória foi confirmada pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que garante que o processo está “na reta final”, embora sem avançar prazos concretos para um eventual acordo.
Negociações travadas e sem entendimento
A decisão surge depois de uma reunião entre Governo, confederações patronais e UGT ter terminado sem qualquer sinal de entendimento.
Apesar de classificado como “cordial”, o encontro evidenciou o bloqueio nas negociações, com troca de críticas entre sindicatos e patrões e um clima de crescente desconfiança.
Num comunicado conjunto, as confederações empresariais acusaram a UGT de falta de “boa-fé” e de ter comprometido o processo negocial, apontando para uma quebra de confiança.
UGT exige propostas “escritas e concretas”
Do lado sindical, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, deixou um aviso claro: a central só voltará a avaliar propostas formais e por escrito.
“Não levaremos consensualizações, apenas propostas concretas”, afirmou, sublinhando que qualquer acordo deve ser fechado no âmbito da Concertação Social.
A posição surge depois de a UGT ter chumbado, na semana passada, a proposta do Governo, alegando falta de clareza nas alterações mais recentes.
Governo acelera processo após oito meses de negociações
A ministra do Trabalho insiste que o processo — que já dura há mais de oito meses e envolveu mais de 50 reuniões — não pode prolongar-se indefinidamente.
“A CPCS é soberana e este é mais um passo que temos de dar”, afirmou, admitindo que, “de uma forma ou outra”, será necessário avançar para a fase seguinte.
Ainda assim, evitou comprometer-se com datas, limitando-se a reforçar que as negociações “não se vão eternizar”.
CGTP regressa ao processo em reunião plenária
A reunião desta quinta-feira assume também um significado político adicional: será plenária, incluindo todos os parceiros sociais, nomeadamente a CGTP-IN, que tem estado afastada de várias fases do processo.
A ausência da central sindical mais representativa tem sido alvo de críticas, com o seu secretário-geral, Tiago Oliveira, a considerar que o processo “não tem validade” sem a sua participação.
O dirigente acusa o Governo de ignorar propostas e alerta que não haverá acordo legítimo sem a CGTP.
Reformas polémicas aumentam tensão
Em cima da mesa estão alterações sensíveis à lei laboral, incluindo propostas como o alargamento dos contratos a termo ou mudanças nas regras de despedimento.
Medidas que têm sido criticadas por sindicatos, que as consideram prejudiciais para os trabalhadores, mas que encontram maior abertura do lado das confederações patronais.
Quinta-feira pode ser decisiva… ou mais um adiamento
Após sucessivos avanços e recuos, a reunião desta quinta-feira poderá representar um ponto de viragem — ou mais um capítulo de um impasse prolongado.
Com posições ainda distantes e confiança fragilizada entre os parceiros, o desfecho permanece incerto.












