A Sonae apresentou, esta quinta-feira, a informação financeira sobre 2022 e o principal destaque está no recuo de 17% no resultado líquido recorrente, para 179 milhões de euros, “em consequência do apoio às famílias e investimento no preço, da pressão nos custos operacionais e da desvalorização de ativos”, explicou, em comunicado.
“O volume de negócios consolidado superou os 7,7 mil milhões de euros em 2022, crescendo 10,9%, suportado pelos ganhos de quota de mercado e pelos investimentos realizados”, referiu o grupo, salientando que o “resultado líquido da unidade de retalho alimentar (MC) diminuiu 18%, com margem de lucro de 3%, sendo de 2,7% nos formatos alimentares”.
“Após dois anos de pandemia, a invasão à Ucrânia, em 2022, trouxe consequências com as quais ainda estamos a lidar e que irão persistir por um longo período de tempo. A inflação aumentou para níveis que o mundo não havia presenciado neste século, sobretudo devido aos aumentos acentuados nos custos de energia e às perturbações nas cadeias de abastecimento que afetaram toda a economia. Para evitar uma maior sobrecarga nos orçamentos familiares, os nossos negócios de retalho suportaram parte da pressão inflacionista, à custa da sua própria rentabilidade”, explicou Cláudia Azevedo, CEO da Sonae.
“Neste contexto desafiante, a Sonae manteve um nível elevado de investimento. No total, o grupo investiu 357 milhões de euros nas suas operações (um aumento de 28% face a 2021) e criou mais de 1.200 novos postos de trabalho, ultrapassando os 48 mil colaboradores. Reforçámos ainda o investimento e o compromisso com as empresas do grupo, nomeadamente aumentando as participações na Sierra e na NOS. A nossa dívida líquida caiu para um valor historicamente baixo, dando-nos conforto que, apesar das elevadas taxas de juro e dos desafios que enfrentamos em cada setor, seremos capazes de continuar a investir para criar valor nas nossas comunidades durante os próximos anos”, apontou a responsável.
“O ritmo de mudança não vai abrandar. E há sempre riscos inesperados a surgir no horizonte. No entanto, estou confiante de que estaremos preparados para os enfrentar. Este ano está já recheado de projetos e iniciativas dinâmicos, repletos de inovação e sustentabilidade. Continuaremos a potenciar o crescimento e a trabalhar em conjunto para criar um amanhã melhor para todos”, rematou.
Conheça os restantes resultados apresentados pela Sonae:
– Investimento agregado do Grupo Sonae em Portugal ascendeu a mil milhões de euros em 2022, com o investimento consolidado a crescer 34%;
– Dívida líquida atinge o valor mais baixo deste século, nos 540 milhões de euros no final de 2022, mantendo o Grupo 1,3 mil milhões de euros de liquidez disponível;
– Sonae prosseguiu no seu percurso com vista à neutralidade carbónica em 2040, reduzindo as emissões de CO2 em 24% (vs. 2018), e aumentou para 80% o nível de embalagens plásticas recicláveis de produtos de marca própria;
– Apoio à comunidade subiu 47%, com 31,3 milhões de euros, doados através de meios financeiros e géneros, permitindo apoiar diretamente 1.497 instituições;
– Em 2022, e um ano antes do previsto, a Sonae atingiu o objetivo de ter 39% dos cargos de liderança a serem desempenhados por mulheres;
“No final de 2022, o NAV (valor líquido do portefólio) da Sonae ascendeu a 4 mil milhões de euros, em linha como final de 2021, traduzindo o desempenho operacional dos negócios, os movimentos de criação de valor no portefólio e o desempenho dos mercados de capitais e consequente contração dos múltiplos de mercado. A Sonae prosseguiu com a sua gestão ativa de portefólio, sendo de destacar que: (i) o Universo, o negócio de serviços financeiros, concluiu a venda da MDS por 104M€ e chegou a um acordo de princípio com o Bankinter Consumer Finance para a criação de um operador líder em crédito ao consumo em Portugal; (ii) a Bright Pixel concluiu as vendas da Maxive, da StyleSage, da Cellwize e da CiValue, entre outros movimentos da gestão do portefólio, tendo registado um encaixe total de 188M€; (iii) a Sonaecom concluiu a resolução da parceria Zopt, passando a deter uma participação de 26,07% na NOS e tendo recebido um encaixe financeiro (38M€); e (iv) o Grupo aumentou a participação direta na NOS em 0,52%, para 11,3%, (totalizando 37,4%, incluindo a participação da Sonaecom) e adquiriu uma participação adicional de 10% na Sierra”, pôde ler-se no comunicado.
“Em 2022, as famílias e os negócios da Sonae enfrentaram um contexto macroeconómico desafiante, com um aumento acentuado da inflação e das taxas de juro, custos de energia crescentes, disrupções nas cadeias de abastecimento globais, efeitos prolongados da pandemia e restrições causadas pela invasão da Rússia à Ucrânia. Neste contexto, o volume de negócios consolidado atingiu 7,7 mil milhões de euros em 2022, um crescimento de 10,9% em termos homólogos, sustentado pelos sólidos ganhos de quota de mercado dos negócios devido ao reconhecimento do esforço para estar ao lado dos clientes e ao investimento na expansão dos negócios para levar os benefícios da sua oferta a um número crescente de pessoas, nomeadamente através do aumento do parque de lojas dos negócios de retalho. As vendas online agregadas cresceram 17% e superaram 700 milhões de euros, demonstrando o sucesso da aposta no digital”, finalizou o grupo.













