O receio face a uma segunda vaga de infecções continua a ganhar força à medida que o número de casos confirmados de COVID-19 em todo o Mundo ultrapassa os 13 milhões. Alguns países estão, por isso, a recuar no processo de desconfinamento que levavam a cabo, voltando a impor restrições e recomendações de isolamento.
«Não existem atalhos para sair da pandemia», lembrou ontem o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). «Quero ser directo: não haverá um regresso ao antigo normal num futuro próximo», afirmou o responsável, sublinhando que «muitos países estão na direcção errada» e que as acções dos governos e das pessoas não reflectem o perigo que o novo coronavírus representa.
Segundo adianta o The Guardian, Hong Kong é uma das geografias a implementar novas medidas de distanciamento social, sendo que optará por regras ainda mais rígidas do que no início da pandemia: será obrigatório usar máscara nos transportes públicos e os restaurantes poderão apenas disponibilizar serviço de take-away após as 18h. Além disso, depois de reabrir em Junho, a Disneyland de Hong Kong voltou a fechar portas.
Nas Filipinas, o cenário é semelhante: 250 mil pessoas voltarão ao isolamento para tentar impedir que o número de infecções continue a aumentar. Neste momento, o país soma mais de 57 mil casos confirmados.
Já nos Estados Unidos da América, onde são registados cerca de 60 mil novos casos por dia, o estado da California proibiu o funcionamento de bares. Por seu turno, restaurantes, cinemas e museus são obrigados a suspender toda a actividade dentro de portas.
Do outro lado do planeta, na Austrália, também os bares sofrem novas restrições, ao verem limitados os grupos de pessoas a um máximo de 10. No geral, não são permitidas mais do que 300 pessoas no mesmo espaço e salas de maiores dimensões terão de ter funcionários devidamente identificados responsáveis por supervisionar o distanciamento social e o cumprimento das regras de higiene.
Jamil Chade, colunista do UOL, avança ainda que também na Suíça se está a investir no reforço de testes e na capacidade dos hospitais, no sentido de evitar um confinamento total. Na Bulgária, por outro lado, o governo restabeleceu as restrições que tinham sido eliminadas há duas semanas, o que significa que casamentos e baptizados poderão ter apenas 30 pessoas, por exemplo.
Na Croácia e no Reino Unido, à semelhança de Hong Kong, também passou a ser necessário usar máscara no dia-a-dia, ao passo que na África do Sul foi estabelecido o recolher obrigatório: a partir de determinada hora, não pode haver nninugém nas ruas.
Na Índia, indica o mesmo colunista, um dos centros empresariais mais importantes do país, localizado na região de Bangalore, voltou a ser fechado. Aqui, encontram-se companhias como Microsoft, Apple e Amazon.
Hungria e Tailândia são outros exemplos de recuo no desconfinamento: no primeiro caso, o governo decidiu dividir a população em três grupos e aqueles que são considerados de risco são obrigados a ficar isolados durante duas semanas; no segundo caso, foi reforçado o controlo das fronteiras.
Na vizinha Espanha, também foi dado um passo atrás, nomeadamente na região da Catalunha onde foram aplicadas novas restrições a cerca de 200 mil pessoas. Seguiu-se o Nordeste da Galiza, onde também 70 mil pessoas tiveram de encarar novas regras depois de ser descoberto um novo surto em Lugo.












