Restrições a imigrantes da UE podem custar quase 120 mil empregos ao Reino Unido

No pós-Brexit, uma quebra de apenas 1% no número de cidadãos da União Europeia (UE) a viver no Reino Unido pode custar 117.410 empregos ao território inglês, segundo um estudo feito pelas universidades de Sheffield e de Cambridge.

Executive Digest

No pós-Brexit, uma quebra de apenas 1% no número de cidadãos da União Europeia (UE) a viver no Reino Unido pode custar 117.410 empregos ao território inglês, segundo um estudo feito pelas universidades de Sheffield e de Cambridge, citado pelo “The Independent”.

Por outro lado, um aumento de 1% no número de residentes europeus faria com que os níveis de emprego em Londres subissem 0,28%. Além disso, dados do mesmo estudo dão conta de que os imigrantes da UE geram mais empregos do que aqueles que ocupam a longo prazo.

A co-fundadora do grupo the3million, que fez campanha pelos direitos dos cidadãos europeus residentes no Reino Unido, Maike Bohn, considera que estes resultados «confirmaram que a percepção de que os imigrantes da UE são um esgotamento dos recursos do Reino Unido é uma mentira populista para apelar a certos eleitores» e pediu que o Executivo britânico comece a tratá-los como «verdadeiros seres humanos».

Bohn considera que o Governo de Boris Johnson está a desencorajar tanto a permanência como a chegada de trabalhadores europeus ao Reino Unido. «A nova atitude, restritiva e transaccional do Governo do Reino Unido para com os cidadãos da UE irá contra-atacar. Aqueles que já vivem no Reino Unido ressentem-se com o facto de serem vistos como um bem económico e os cidadãos da UE que consideram vir para o Reino Unido pensarão duas vezes, pois será muito mais difícil para eles trazer famílias e integrar-se adequadamente adequadamente», acrescentou.

A partir de Janeiro de 2021, recorde-se que a possibilidade de residir no Reino Unido passa a depender de uma autorização da imigração britânica – o EU Settlment Scheme. Estão previstas autorizações por cinco anos ou por tempo indefinido.

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Boris quer sistema por pontos

Recentemente, o primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, anunciou que pretende acelerar os planos para impor novas restrições à imigração de cidadãos da UE para o território britânico até 2021, dois anos antes do prazo que havia sido prometido pela sua antecessora, Theresa May. A ideia é criar um sistema baseado nas competências dos trabalhadores e não na suas origens.

O tema da imigração, recorde-se, foi um dos temas centrais na campanha para o referendo do Brexit, em 2016. Na altura, o conservador Boris Johnson, então favorito para suceder à primeira-ministra Theresa May, propôs um sistema de pontos para «controlar» a imigração. Na prática, seriam três os critérios: o contributo que pode dar para o Reino Unido, tendo um emprego fixo ou a capacidade de falar inglês; garantias de que não representam um encargo para os serviços públicos britânicos ou que estão a tirar empregos que podiam ir para as pessoas que já vivem no país; além de garantias de que não representam uma ameaça para o Reino Unido.

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Em declarações ao “The Independent”, fonte oficial do Ministério do Interior do Reino Unido confirmou: «Vamos cumprir as prioridades das pessoas, introduzindo um sistema de baseado em pontos, a partir de 2021, para atrair os melhores talentos de todo o mundo e, ao mesmo tempo, reduzimos a imigração de pessoas pouco qualificadas».

Recorde-se que o Comité Consultivo para a Migração independente rejeitou a promessa do então candidato a primeiro-ministro Boris Johnson de criar um um sistema de pontos para controlar a imigração, semelhante ao que existe na Austrália. A questão da imigração foi um dos temas centrais na campanha para o referendo do Brexit, em 2016. Segundo o conservador, seriam três os critérios a ter em conta: o contributo que o cidadão pode dar ao Reino Unido; garantias de que não representam um encargo para os serviços públicos britânicos ou que estão a tirar empregos que podiam ir para as pessoas que já vivem no país; além de garantias de que não representam uma ameaça para o país.

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