Reservou hotel nos últimos anos? Os seus dados pessoais podem ter sido comprometidos neste grande ciberataque

Uma base de dados com informação pessoal de cerca de cinco milhões de hóspedes de hotéis foi descoberta num servidor associado a um ator malicioso desconhecido, numa operação que expôs dados sensíveis provenientes de mais de 170 alojamentos em todo o mundo.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma base de dados com informação pessoal de cerca de cinco milhões de hóspedes de hotéis foi descoberta num servidor associado a um ator malicioso desconhecido, numa operação que expôs dados sensíveis provenientes de mais de 170 alojamentos em todo o mundo. A revelação foi feita a 24 de março por uma equipa de investigadores da Cybernews, que identificou aproximadamente 6,5 gigabytes de ficheiros contendo um volume significativo de informação pessoal extraída ilegalmente.

Após analisarem o conteúdo armazenado no servidor, os especialistas concluíram que se tratava de uma operação de grande escala direcionada ao setor hoteleiro. Ao todo, foram identificados registos relativos a mais de 173 alojamentos e anfitriões particulares, abrangendo cerca de 400 mil reservas distintas. Entre os dados comprometidos constam datas de estadia, números de reserva, nomes dos hóspedes, moradas dos alojamentos e indicadores internos de segurança utilizados pelas próprias plataformas de gestão.

A base de dados incluía ainda informação direta de mais de cinco milhões de clientes, como nomes completos, números de telefone, endereços de correio eletrónico, datas e locais de nascimento e, em alguns casos, dados do documento de identificação. A dimensão da informação recolhida levantou sérias preocupações quanto ao potencial impacto para os utilizadores afetados.

No servidor foram igualmente encontrados scripts em Python concebidos para recolher automaticamente dados de reservas a partir de plataformas de gestão de alojamentos amplamente utilizadas. Entre as plataformas identificadas encontram-se a espanhola Chekin e a austríaca Gastrodat, fornecedora de software de gestão hoteleira. O sistema permitia a extração sistemática de dados, automatizando o processo de recolha de informação sensível.

Segundo os investigadores, o que mais surpreendeu não foi apenas a escala da fuga de dados, mas também o nível de sofisticação das ferramentas empregues, capazes de extrair automaticamente informação das plataformas de reservas. O setor hoteleiro é descrito como um alvo particularmente apelativo para os atacantes devido ao tipo de dados armazenados.

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Os especialistas alertam que este tipo de informação é altamente valiosa para campanhas de phishing. Quando os criminosos têm acesso aos nomes exatos das vítimas, datas de viagem e números de reserva, conseguem criar esquemas fraudulentos altamente credíveis, aumentando a probabilidade de as vítimas confiarem nas comunicações e serem induzidas a descarregar vírus ou a fornecer dados adicionais.

A descoberta reforça os alertas quanto à vulnerabilidade das plataformas digitais de reservas e ao risco para milhões de utilizadores que, nos últimos anos, tenham efetuado reservas em hotéis ou alojamentos locais, podendo agora estar potencialmente expostos a tentativas de burla ou ataques informáticos direcionados.

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