Reservas de gás na Europa “estão bastante seguras neste inverno”, garante presidente da Comissão Europeia

Ursula von der Leyen sublinhou independência face ao fornecimento do gás russo

Francisco Laranjeira

Ursula von der Leyen assegurou esta quarta-feira que o fornecimento de gás ao bloco europeu está do “lado seguro” para o que resto do inverno, mesmo que a Rússia reduza ainda mais as entregas. “Durante as últimas semanas, analisamos todos os possíveis cenários de interrupção caso a Rússia decida interromper parcial ou completamente o fornecimento de gás à UE. E posso dizer que nossos modelos mostram que agora estamos bastante seguros neste inverno”, explicou a presidente da Comissão Europeia aos eurodeputados em Estrasburgo, garantindo que a Europa “está pronta” caso os líderes russos decidam tornar numa arma a questão energética.

Mais de um quinto da energia na União Europeia vem do gás natural liquefeito (GNL), mas cerca de 90% do fornecimento de gás do bloco vem do exterior. A Rússia, sozinha, fornece cerca de 40% do gás da UE. A maior parte do gás russo entregue transita pelo gasoduto Nord Stream que passa pela Ucrânia. Mas a Gazprom, a maior empresa estatal de energia da Rússia, reduziu as entregas para a Europa nos últimos meses.

Os Estados-membros da UE responderam a estes desafios explorando fortemente as suas reservas de gás – de acordo com a Gas Infrastructure Europe (GIE), associação que representa os interesses dos operadores europeus de infraestruturas de gás, o armazenamento de gás natural da UE está apenas a 33%.

Ursula von der Leyen apontou, no entanto, que a Comissão Europeia está “atualmente em negociações com vários países que estão prontos para aumentar as suas exportações de gás natural liquefeito para a UE”. Os Estado Unidos forneceram 23% das necessidades de GNL da UE em 2021. No mês passado, a participação subiu para 46%, sendo a Europa o principal destino do GNL americano.

Ainda assim, a presidente da Comissão observou que “uma das lições que já podemos tirar dessa crise é que devemos diversificar as nossas fontes de energia, para nos livrarmos da dependência do gás russo e investir fortemente em fontes de energia renováveis”.

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