Renováveis, microgrids e transformação digital: Conheça as tendências de energia para 2023

Não é fácil fazer previsões quando a conjuntura atual é dominada pela volatilidade. Podemos, contudo, observar uma série de tendências no setor da energia que apontam para o facto de a transição energética continuar em curso (e talvez até de vento em popa).

Executive Digest

Não é fácil fazer previsões quando a conjuntura atual é dominada pela volatilidade. Podemos, contudo, observar uma série de tendências no setor da energia que apontam para o facto de a transição energética continuar em curso (e talvez até de vento em popa).

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A instalação de energias renováveis continua a crescer

Segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Portugal encontra-se atualmente nos primeiros lugares da lista de países europeus que mais utilizam energias renováveis – tendo sido, em 2022, o quarto país com maior incorporação das renováveis na geração de eletricidade (apenas atrás da Noruega, Áustria e Dinamarca). Graças a este progresso, podemos dizer com orgulho que, no acumulado do ano passado, 57.2% da energia gerada no país foi de origem renovável.

Isto deveu-se sobretudo à produção de energia eólica (29.5%) e hídrica (14.5%) – tornando-se, por isso, claro o progresso positivo que tem vindo a acontecer nos últimos anos no sentido da transição verde, para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e, em última análise, reduzir as emissões de CO2.

No entanto, nem tudo é positivo: registam-se também alguns problemas, como a falta de flexibilidade administrativa na hora de gerir os apoios governamentais e determinados procedimentos a que os projetos de energias renováveis estão sujeitos. Isto pode levar a que muitos parques eólicos e projetos fotovoltaicos não avancem, perdendo-se uma grande capacidade de geração de energia renovável pelo caminho. Não nos podemos dar a esse luxo, num momento de verdadeira corrida contra o tempo no combate às alterações climáticas, e em prol da poupança e da independência energética.

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Mais investimento na digitalização e flexibilidade das redes de distribuição

Para ser possível atingir os objetivos de transição energética estabelecidos pela União Europeia, estão previstos, por um lado, grandes investimentos em renováveis e, por outro, na modernização e digitalização das redes elétricas. De acordo com um relatório da Eurelectric e da Monitor Deloitte, em Portugal espera-se um investimento total de 4.5 mil milhões de euros em redes de distribuição de energia entre 2020 e 2030.

As redes elétricas do futuro vão ser mais descentralizadas e com mais recursos energéticos distribuídos de geração renovável, mas também com mais infraestruturas para dar acesso a novos intervenientes, como os veículos elétricos ou os prosumers. Esta complexidade será muito mais difícil de gerir, uma vez que implica dotar a rede de mais digitalização, inteligência e flexibilidade, em coordenação com todos os intervenientes envolvidos, e criando mecanismos que tenham em conta a procura. Os consumidores ativos vão desempenhar um novo papel neste processo, podendo participar em todos os mercados, oferecendo os seus serviços à rede e participando através da gestão dos seus recursos.

Assim, poderemos acelerar a transição energética, diminuir os custos para os consumidores e reduzir as emissões, aumentando ao mesmo tempo a qualidade e a segurança do abastecimento. Contudo, esta modernização vai exigir investimentos significativos – tanto do setor público como privado.

Cultura de dados e Inteligência Artificial nas redes de transporte

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Neste contexto de descentralização dos recursos energéticos e integração das energias renováveis, a rede terá de se tornar mais inteligente para ter capacidade de tomar decisões em tempo real.

As tecnologias digitais de medição e monitorização ajudam-nos a perceber como e onde utilizamos ou desperdiçamos energia. Assim, recorrendo a equipamentos inteligentes, aplicações, análises, serviços e software, é possível distribuir energia de forma mais eficiente, bem como conhecer e aumentar a resiliência da nossa infraestrutura. A gestão digital e proativa da energia pode prolongar a vida útil dos equipamentos e ajudar-nos a identificar problemas de forma preventiva.

Por exemplo, a tecnologia de gémeo digital está a demonstrar uma ampla aplicabilidade no setor da eletricidade no que toca a prever possíveis situações adversas, para além de ser uma ferramenta perfeita para maximizar os investimentos na rede com base em diferentes critérios possíveis de simular.

Em suma, o software será o principal protagonista – juntamente com a tecnologia de IA e os gémeos digitais – que nos vai permitir aumentar a visibilidade sobre a rede de distribuição e, desta forma, entender as suas necessidades, otimizar os investimentos e criar serviços de flexibilidade.

Aposta crescente nas microgrids nos setores comercial e industrial

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Cada vez mais empresas estão a reforçar os seus compromissos de sustentabilidade para cumprir os objetivos de descarbonização estabelecidos pelo Acordo de Paris. A maioria está a implementar estratégias para reduzir as emissões das suas operações e cadeias de abastecimento; no entanto, também cresce o interesse em combinar a produção de energia renovável no local com o seu armazenamento.

Assim, graças à digitalização e a tecnologias como as microgrids, as empresas estão a tornar-se também elas prosumers, sendo capazes de gerar e armazenar energia e até de a inserir na rede e comercializá-la.

A energia está a tornar-se um ativo cada vez mais importante – e, tendo em conta tudo o que já sabemos sobre 2023, esta certeza só irá reforçar-se.

 

Schneider Electric

 

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