Rendeiro saiu de Portugal “sem plano de fuga”. Queria ter ficado em Londres mas não tinha dinheiro para se esconder

A advogada de João Rendeiro, June Marks, fez agora novas revelações sobre a fuga do seu cliente.

Simone Silva

A advogada de João Rendeiro, June Marks, fez agora novas revelações sobre a fuga do seu cliente, que morreu na passada sexta-feira, na prisão onde estava detido, na África do Sul.

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Em declarações ao ‘Correio da Manhã’ (CM), a responsável referiu que Rendeiro fugiu de Portugal “sem plano de fuga”. Queria ter ficado em Londres, onde fez a primeira paragem, mas a vida na capital britânica era “demasiado cara” para se esconder.

Depois acabou por rumar à África do Sul, país onde o custo de vida é “mais barato”. “A fuga dele não foi preparada. Ele queria ficar em Londres, mas não podia pagar um advogado nem suportar o custo de vida nesta cidade. A vida na África do Sul é muito mais barata”, revelou.

June Marks disse ao ‘CM’ ter sido contactada pela primeira vez pelo ex-banqueiro em setembro do ano passado, quando este ainda estava em Londres, para saber quais eram as hipóteses de ser extraditado para Portugal, se fosse preso na África do Sul.

Perante a resposta de que seria possível ficar em liberdade com o pagamento de uma fiança de baixo valor (até 2500 euros), o ex-banqueiro aceitou, pensando que a extradição demoraria entre sete a 10 anos.

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Recorde-se que João Rendeiro, de 69 anos, foi encontrado enforcado na quinta-feira na prisão de Westville, segundo uma nota do Departamento de Serviços Penitenciários, que excluiu o envolvimento de terceiros.

A advogada June Marks disse que se tratou de suicídio, no entanto, circunstâncias da morte ainda estão sob investigação das autoridades locais.

O antigo presidente do BPP estava detido na África do Sul desde 11 de dezembro de 2021, após três meses de fuga à justiça portuguesa para não cumprir pena em Portugal.

João Rendeiro foi condenado em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros.

O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.

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