Rendas atingem novo patamar em Portugal: novos contratos passam os 10 euros por metro quadrado

Entre os 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes, as rendas aumentaram em todos face ao mesmo período do ano passado.

Executive Digest

As rendas dos novos contratos de arrendamento ultrapassaram a fasquia dos 10 euros por metro quadrado em Portugal. No segundo trimestre de 2026, o valor mediano atingiu 10,17 euros por metro quadrado, num momento em que os preços voltaram também a acelerar.

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De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as rendas aumentaram 10,2% face ao mesmo período do ano passado, acima dos 9,1% registados no primeiro trimestre. Na comparação com os primeiros três meses deste ano, a subida foi de 7,5%.

Entre abril e junho foram celebrados 35.407 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares, contra 35.266 no mesmo período de 2025. Enquanto os preços avançaram a dois dígitos, o número de novos contratos ficou praticamente estável, aumentando apenas 0,4% em termos homólogos.

Grande Lisboa chega aos 15,24 euros por metro quadrado

O aumento das rendas foi transversal ao país. Todas as 26 sub-regiões NUTS III registaram valores superiores aos observados no segundo trimestre do ano passado.

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A Grande Lisboa continuou a apresentar as rendas mais elevadas, com uma mediana de 15,24 euros por metro quadrado. Seguiram-se a Região Autónoma da Madeira, com 12,78 euros, a Península de Setúbal, com 11,99 euros, o Algarve, com 11,56 euros, e a Área Metropolitana do Porto, com 10,83 euros.

Estas foram as únicas cinco sub-regiões com valores acima da mediana nacional de 10,17 euros por metro quadrado.

Os maiores aumentos, contudo, verificaram-se noutros pontos do país. O Alentejo Litoral liderou, com uma subida homóloga de 21,6%, seguido de Terras de Trás-os-Montes, com 17,6%, da Madeira, com 17,4%, e da Lezíria do Tejo, com 17%.

Na comparação com o trimestre anterior, as rendas subiram em 24 das 26 sub-regiões. Os Açores registaram o maior aumento, de 16,3%, enquanto o Baixo Alentejo e o Alto Alentejo foram as únicas regiões onde os valores recuaram, respetivamente 3,7% e 3,6%.

Lisboa continua a ser o grande município mais caro

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Entre os 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes, as rendas aumentaram em todos face ao mesmo período do ano passado.

Lisboa apresentou o valor mais elevado, com uma renda mediana de 17,79 euros por metro quadrado. A subida homóloga foi, contudo, de 5,1%, bastante abaixo dos 10,2% registados a nível nacional.

Guimarães destacou-se pela evolução dos preços. A renda mediana atingiu 7,87 euros por metro quadrado, mas aumentou 20,7% num ano, a maior subida entre os municípios com mais de 100 mil habitantes.

Na Grande Lisboa e na Península de Setúbal, todos os municípios analisados apresentaram rendas superiores à mediana nacional. Loures chegou aos 13,03 euros por metro quadrado, mais 16,1% do que um ano antes; Vila Franca de Xira atingiu 11,39 euros, mais 10,4%; e a Amadora chegou aos 14,03 euros, uma subida de 10,3%.

Fora destas regiões, o Funchal destacou-se por apresentar simultaneamente uma renda mediana e um crescimento superiores aos valores nacionais: 14,49 euros por metro quadrado, mais 17% em termos homólogos.

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Novos contratos aumentam 17,2% em Almada

A evolução do número de novos contratos foi bastante mais desigual. Dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes registaram crescimentos superiores aos 0,4% observados no conjunto do país.

Almada liderou, com um aumento homólogo de 17,2%, enquanto Lisboa e Seixal registaram ambos uma subida de 5,6%.

Em sentido contrário, houve menos novos contratos em 14 dos grandes municípios analisados pelo INE. As maiores quedas ocorreram em Matosinhos, com menos 14%, e na Maia, com uma redução de 13,2%.

A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram, em conjunto, 45,1% dos novos contratos de arrendamento celebrados no segundo trimestre.

Casas mais pequenas têm rendas mais elevadas por metro quadrado

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A dimensão da habitação continua também a fazer uma diferença significativa no preço por metro quadrado. Em 25 das 26 sub-regiões NUTS III, os valores medianos mais elevados foram registados nos T0 ou T1.

A única exceção foi o Alentejo Litoral, onde os T2 apresentaram a renda mediana mais elevada. Já a Grande Lisboa liderou os preços em todas as tipologias de habitação consideradas pelo INE.

A maior diferença entre tipologias ocorreu na Área Metropolitana do Porto. Nos T0 e T1, a renda mediana atingiu 14,08 euros por metro quadrado, enquanto nos T4 ou superiores ficou nos 6,49 euros.

Lisboa, Cascais e Oeiras entre os mercados mais caros

O INE apresenta também os resultados relativos aos 151.181 contratos celebrados nos 12 meses terminados em junho de 2026. Neste período, a renda mediana nacional foi de 9,76 euros por metro quadrado, mais 9,4% do que no período homólogo.

Lisboa apresentou o valor mais elevado, com 17,43 euros por metro quadrado, seguida de Cascais, com 16,83 euros, Oeiras, com 15,75 euros, e Sines, com 15,07 euros. No total, 37 municípios apresentaram rendas superiores à mediana nacional.

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Lisboa foi igualmente o município onde foram celebrados mais contratos neste período, com 17.575 novos arrendamentos, mais 7% do que um ano antes. Seguiram-se o Porto, com 7.757 contratos, e Sintra, com 5.182.

Santo António supera os 21 euros por metro quadrado

Dentro de Lisboa, as diferenças são ainda mais acentuadas. Nos 12 meses terminados em junho, Santo António apresentou a renda mediana mais elevada, de 21,55 euros por metro quadrado.

Seguiram-se Estrela, com 20 euros, Misericórdia, com 19,95 euros, e Santa Maria Maior, com 19,92 euros. Santa Clara apresentou o valor mais baixo da capital, 13,39 euros por metro quadrado, mas também a maior subida homóloga, de 12%.

No Porto, a União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória apresentou a renda mediana mais elevada, de 15,20 euros por metro quadrado.

O Bonfim registou 14,89 euros por metro quadrado e uma subida homóloga de 8,4%, sendo a única freguesia da cidade a apresentar simultaneamente uma renda e um crescimento superiores aos valores do município.

Campanhã foi a única freguesia portuense onde as rendas diminuíram face ao mesmo período do ano anterior, recuando 1,5%, para 13,30 euros por metro quadrado.

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