Relembre os cinco maiores desastres nucleares que abalaram o mundo

Chernobyl registou o pior incidente nuclear da história do planeta

Francisco Laranjeira

O alarme nuclear está levantado e não passa apenas pelas ameaças russas do uso de bombas atómicas no conflito na Ucrânia.

As várias centrais nucleares na Ucrânia têm sido alvo de preocupação ocidental e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, garantiu que se houver uma explosão em Zaporihzia o impacto será até 10 vezes pior do que o ocorrido em Chernobyl, considerado o pior acidente nuclear da história – nível 7 na Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos. Por esta ordem:

Nível 7: Acidente Grave
Nível 6: Acidente Grave
Nível 5: Acidente com consequências mais amplas
Nível 4: Acidente com Consequências Locais
Nível 3: Incidente Grave
Nível 2: Incidente
Nível 1: Anomalia

Por ordem, relembre os piores momentos da história nuclear, segundo dados da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica):

Chernobyl, 1986

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O desastre de Chernobyl ocorreu durante um teste de sistema no reator 4 da central nuclear, perto da cidade de Pripyat, na antiga República Socialista Soviética da Ucrânia, a 26 de abril. As explosões libertaram para a atmosfera um volume de partículas radioativas 400 vezes maior que o libertado pela bomba atómica lançada pelos EUA em Hiroshima, no Japão.

Foram contaminados mais de 200 mil quilómetros quadrados e a ONU estimou mais de 5 mil ocorrências de cancro na Ucrânia, Bielorrúsia e Rússia.

Fukushima Daiichi, 2011

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Em março de 2011, no Japão, um terramoto devastador, seguido de tsunami, danificou a central nuclear – as ondas gigantescas destruíram os sistemas de energia e segurança da cental, o que levou à perda do sistema de refrigeração e causaram o colapso de três reatores. Foi classificado como um acidente de nível 7 pela AIEA.

O incidente provocou fugas radioativas, contaminação das águas e a evacuação em massa de trabalhadores e moradores das regiões afetadas. Mais de 60 mil pessoas foram forçadas a evacuar. As consequências do acidente estão ainda em estudo.

Kyshtym, 1957

A 29 de setembro de 1957, após a II Guerra Mundial, a União Soviética patrocinou diversos programas para o desenvolvimento da indústria atómica. No entanto, uma falha no sistema de refrigeração do compartimento de armazenamento de resíduos nucleares provocou uma explosão massiva, que libertou toneladas de materiais radioativos para a atmosfera. Foram evacuadas cerca de 10 mil pessoas. A nuvem de radiação libertada atingiu cerca de 470 mil pessoas, provocando pelo menos 200 mortes imediatamente.

Como a sede da tragédia não integrava oficialmente o mapa soviético, o acidente nuclear ficou conhecido como “O desastre de Kyshtym”, em referência à cidade vizinha. A explosão foi mantida em segredo pela União Soviética durante mais de três décadas.

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Three Mile Island, 1979

Em março de 1979, o colapso parcial de um reator da central nuclear de Three Mile Island, perto de Harrisburg, capital da Pensilvânia, causou o acidente nuclear mais grave da história dos Estados Unidos. Na altura, foi aberta uma válvula para aliviar a pressão do reator, mas o escape não voltou a fechar e causou o transbordo de água sobreaquecida e contaminada.

O acidente foi controlado e não causou mortes ou feridos entre os trabalhadores ou membros das comunidades vizinhas, embora alguns gases radioativos tenham sido libertados na atmosfera. Na sequência do evento, houve mudanças relativas à regulamentação das centrais nucleares e sistemas de segurança capazes de responder a emergências. O acidente foi classificado no nível 5 da escala internacional de eventos nucleares (INES). A limpeza da área durou até 1993

Windscale, 1957

O Reino Unido registou o pior acidente nuclear da sua história a 10 de outubro de 1957, quando uma falha técnica na instalação de Windscale incendiou um dos reatores da central, o que levou à libertação de materiais radioativos.

Os canais de ar de saída do reator foram selados e os cartuchos de combustível foram removidos. O segundo reator também foi desligado. Estima-se que a radiação possa ter causado mais de duas dezenas de casos de cancro.

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