Mais de 100 mil pessoas subscreveram uma queixa formal que pede à FIFA que investigue o seu próprio presidente, Gianni Infantino, por alegadas violações do código de ética relacionadas com a proximidade a Donald Trump.
Segundo avança o ‘The Independent’, a denúncia foi apresentada pela organização de direitos humanos FairSquare ao Comité de Ética da FIFA e acusa Infantino, entre outras infrações, de abuso de poder, violação do dever de neutralidade política e incumprimento dos seus deveres de lealdade numa tentativa de se “insinuar junto do presidente dos EUA”.
A organização quer que Infantino seja suspenso durante dois anos de todas as atividades relacionadas com o futebol.
Trump está no centro da queixa
A nova iniciativa surge na sequência de uma primeira queixa apresentada em dezembro de 2025, sobre a qual, segundo a FairSquare, o Comité de Ética da FIFA não forneceu qualquer atualização desde que confirmou a sua receção.
A denúncia enumera oito episódios que, no entender da organização, justificam uma investigação ao presidente da FIFA.
Entre eles está a alegada utilização por Infantino de um slogan político associado a Trump e o apoio à sua agenda, atitudes que a FairSquare considera incompatíveis com a obrigação de neutralidade política imposta aos dirigentes da FIFA.
A organização aponta ainda para a criação unilateral do Prémio da Paz da FIFA, que terá sido estabelecido sem aprovação do Conselho da FIFA e posteriormente entregue a Trump.
Cartão vermelho também entra no caso
Outro dos episódios destacados ocorreu durante o Mundial, terminado em julho.
Segundo a denúncia citada pelo ‘The Independent’, Trump contactou Infantino durante a competição para pedir que fosse analisado o cartão vermelho mostrado ao avançado dos EUA Folarin Balogun. A suspensão acabaria posteriormente por ser levantada.
A FairSquare inclui ainda na queixa o projeto FIFA Forward Enterprise, através do qual Infantino é acusado de ter procurado, em privado, vender uma participação em eventos da FIFA a investidores ligados ao poder político. A iniciativa acabaria por ser abandonada depois de provocar forte contestação internacional.
“As alegações são agora muito mais graves”, afirmou Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare.
“São capazes de responsabilizar os vossos altos responsáveis? É isso que estamos a tentar fazer com esta nova iniciativa”, acrescentou.
Infantino prepara novo mandato
A pressão chega numa altura particularmente importante para o futuro do dirigente. Infantino pretende ser reeleito em março para um quarto mandato à frente da FIFA e, até ao momento, não enfrenta qualquer adversário de peso.
A própria possibilidade de uma nova candidatura é contestada pela FairSquare. No mês passado, a organização pediu à FIFA que declarasse Infantino inelegível, argumentando que já atingiu o limite de três mandatos previsto nos estatutos.
Infantino sustenta, contudo, que o período iniciado em 2016, quando sucedeu a Sepp Blatter e completou um mandato interrompido, não deve contar para esse limite — uma interpretação que conseguiu fazer prevalecer em 2022.
A FairSquare insiste que a questão ultrapassa a atuação individual do presidente da FIFA e pretende demonstrar que a organização não consegue fiscalizar adequadamente os seus próprios dirigentes.















