Reino Unido tem novo primeiro-ministro. Andy Burnham assume hoje cargo

O Reino Unido inicia esta segunda-feira uma nova etapa política, com Andy Burnham prestes a assumir oficialmente o cargo de primeiro-ministro, depois de ter sido eleito, na passada sexta-feira, líder do Partido Trabalhista.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Reino Unido inicia esta segunda-feira uma nova etapa política, com Andy Burnham prestes a assumir oficialmente o cargo de primeiro-ministro, depois de ter sido eleito, na passada sexta-feira, líder do Partido Trabalhista. A sucessão de Keir Starmer acontece sem oposição interna e surge na sequência da maioria parlamentar detida pelo Labour, permitindo uma transição direta na chefia do Governo britânico.

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A eleição foi formalizada durante um congresso extraordinário do Partido Trabalhista, realizado em Londres exclusivamente para oficializar a sucessão. Shabana Mahmood, responsável pelo processo eleitoral interno, confirmou que Burnham foi o único candidato a reunir os requisitos exigidos pelo partido, ao obter 379 nomeações de deputados trabalhistas, muito acima do mínimo de 20% da bancada parlamentar necessário para concorrer. Recebeu ainda 23 nomeações de sindicatos e organizações afiliadas, incluindo o apoio dos 11 sindicatos filiados no Labour. “Havia apenas um candidato elegível”, afirmou Mahmood, antes de anunciar oficialmente que “o líder devidamente eleito do Partido Trabalhista é Andy Burnham”. Com a liderança confirmada, espera-se que Keir Starmer apresente hoje formalmente a demissão ao rei Carlos III, que deverá convidar Burnham a formar Governo.

No discurso de aceitação, Andy Burnham começou por prestar uma extensa homenagem ao antecessor, destacando o papel desempenhado por Keir Starmer na recuperação eleitoral do partido. “Estou preparado para liderar e para construir sobre as bases lançadas por uma pessoa mais do que qualquer outra”, afirmou. O novo líder recordou que, sob a liderança de Starmer, o Labour passou “da pior derrota para uma das maiores vitórias da nossa história”, atribuindo-lhe o mérito de ter recolocado o partido “em posição de mudar a vida das pessoas”. Burnham elogiou igualmente várias medidas implementadas durante o anterior Governo, incluindo os novos direitos para trabalhadores e inquilinos, a redução das listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (NHS), o regresso dos caminhos de ferro ao controlo público, a recuperação da credibilidade internacional do Reino Unido e aquilo que classificou como “o maior reequilíbrio da balança da justiça que este país alguma vez viu”, concluindo: “Hoje agradecemos-lhe o serviço prestado ao nosso partido e ao nosso país.”

Depois da homenagem, Burnham procurou definir o rumo da sua liderança, defendendo que “a mudança começa com honestidade”. O novo líder reconheceu que a atual geração de políticos, “incluindo eu próprio”, falhou em desafiar “uma cultura política e um modelo económico que simplesmente não funcionam suficientemente bem para as pessoas comuns”. Criticou décadas de políticas neoliberais iniciadas nos anos 80 e sustentou que essas opções prejudicaram muitas comunidades operárias que estiveram na origem do movimento trabalhista. Evocou as raízes históricas do Labour nas siderurgias de Sheffield, Scunthorpe, Port Talbot e Teesside, nas minas de carvão do País de Gales, Escócia e norte de Inglaterra, nas fábricas têxteis dos Peninos, nos estaleiros do Clyde e do Tyne e nas docas de Liverpool e Londres, afirmando que foram precisamente essas comunidades que sentiram durante décadas que a política lhes virou as costas.

Um dos momentos mais marcantes da intervenção surgiu quando recordou o vigésimo aniversário das homenagens às vítimas da tragédia de Hillsborough. Burnham afirmou que essa experiência lhe mostrou que “este país não funciona para comunidades trabalhadoras como a cidade onde nasci”, acusando o poder político de ter sido utilizado “de forma cruel” para proteger interesses instalados. Recordou igualmente a colaboração que manteve com Keir Starmer na elaboração da versão inicial da chamada Lei Hillsborough e considerou que a recente aprovação da legislação representa um passo decisivo para combater a ocultação de responsabilidades pelas autoridades, reforçando os direitos dos cidadãos e evitando que outras famílias enfrentem processos semelhantes.

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Apesar do amplo consenso interno, a ausência de uma disputa eleitoral significa que Burnham ainda apresentou poucos detalhes sobre o programa governativo que pretende executar. Ainda assim, nas últimas semanas defendeu como prioridades a criação de um gabinete do primeiro-ministro em Manchester para acelerar a descentralização de competências, sobretudo nas áreas da habitação e dos transportes, o reforço do controlo público dos setores da água e da energia em todo o Reino Unido e uma posição mais crítica relativamente à resposta britânica ao conflito na Faixa de Gaza, admitindo que o apelo a um cessar-fogo deveria ter sido feito mais cedo. Com a formalização da mudança de liderança prevista para hoje, Andy Burnham prepara-se para iniciar um novo ciclo político à frente do Governo britânico.

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