Reino Unido: Parlamento discute eleições antecipadas para a semana após petição para demitir Truss ultrapassar meio milhão de assinaturas

O debate de três horas já está marcado e um dos membros do governo de Truss estará obrigado a marcar presença, já que terá de argumentar em nome do executivo para justificar porque é que o mandato deve continuar.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Parlamento inglês vai discutir a possibilidade de eleições antecipadas já no próximo dia 17 de outubro, após uma polémica petição, que exigia a demissão da primeira-ministra britânica Liz Truss e pedia um novo ato eleitoral imediatamente, ter ultrapassado mais de meio milhão de assinaturas (contava, esta quarta-feira com mais de 580 mil assinantes). Quando qualquer petição ultrapassa a marca das 100 mil assinaturas, é discutida no Parlamento inglês.

O debate, que terá três horas, já está marcado e um dos membros do governo de Truss estará obrigado a marcar presença, já que terá de argumentar em nome do executivo para justificar porque é que o mandato deve continuar.

No entanto, segundo o protocolo de debates de petições públicas, os deputados não poderão votar pela demissão de Truss ou no sentido de forçar uma eleição antecipada, pelo menos para já.

A petição foi lançada logo após o pedido de demissão de Boris Johnson, pedindo “uma eleição geral imediata para acabar com o governo atual”.

“O caos que engole este governo não tem precedentes. Há guerra na Ucrânia, O Protocolo da Irlanda do Norte aumentou os danos na nossa relação com a Europa, a recessão ameaça-nos, o Reino Unido pode deixar de existir, com a Escócia a procurar a independência. Este é o maior grupo de desafios que vimos nas nossas vidas”, argumenta a petição.

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O governo de Truss endereçou uma resposta à petição, onde defende que “O Reino Unido é uma democracia parlamentar, e não uma democracia presidencial”. “Depois da eleição de dezembro de 2019, membros do parlamento e do partido no governo (o Partido Conservador) foram eleitos, tanto que estão em maioria na Câmara dos Comuns. Isto continua a ser uma realidade. A mudança de um líder do partido no governo não desencadeia uma nova eleição. Este foi o caso com governos de várias cores políticas”, defende o executivo de Truss.

O mandato do Partido Conservador terminará no prazo máximo de dezembro de 2024, pelo que eleições no Reino Unido só deverão acontecer em janeiro de 2025. No entanto, especialistas políticos ouvidos pelo The Independent acreditam que poderá haver um novo ato eleitoral logo na primavera ou outono de 2024.

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