Reino Unido: Pandemia espalhou-se de forma mais rápida devido a um «erro crítico» nas fronteiras

A pandemia do novo coronavírus espalhou-se forma mais rápida no Reino Unido, porque o governo não conseguiu implementar regras de quarentena para os viajantes, numa fase inicial da crise de saúde pública.

Simone Silva

A pandemia do novo coronavírus espalhou-se forma mais rápida no Reino Unido, porque o governo não conseguiu implementar regras de quarentena para os viajantes, numa fase inicial da crise de saúde pública, de acordo com deputados do ‘Commons Home Affairs’, o comité de assuntos internos britânico.

Os «erros críticos», incluindo a decisão «inexplicável» de suspender todas as restrições de fronteira em Março, contribuíram para «acelerar» a escala e o ritmo da pandemia no país, conduzindo a «muito mais pessoas infectadas com a Covid-19», pode ler-se num relatório do comité, citado pelo ‘Mirror’.

O grupo de deputados apoiou a decisão de incluir Espanha nas actuais medidas de quarentena em vigor, embora considere que o modo como as decisões dos corredores de viagem estão a ser tomadas exige algumas melhorias.

O relatório teve em consideração todas as decisões do governo sobre restrições de fronteira durante a crise até ao momento: desde a quarentena de 273 pessoas em grande parte de Wuhan, através do auto-isolamento voluntário aplicado a viajantes de países específicos; ao levantamento de todas as restrições de fronteira a 13 de Março; à introdução da quarentena obrigatória em Junho; à implementação  de corredores de viagem; e também à decisão mais recente de reintroduzir a quarentena em Espanha.

Com base em evidências de que «milhares de pessoas com Covid-19 chegaram ou regressaram ao Reino Unido em Fevereiro e Março», o comité concluiu: «A resposta do Reino Unido à Covid-19 foi muito pior em resultado da decisão do governo de não exigir quarentena em Março, o que reduziria o número de infecções importadas». Cerca de dez mil pessoas infectadas podem ter entrado ou regressado ao país em nesse mês, segundo o comité.

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O relatório citou ainda um estudo referido pelo principal consultor científico do governo britânico, Patrick Vallance, que revelou que foram importadas mais de 1.300 estirpes do vírus, em grande parte de países como Espanha, Itália e França durante esse período.

A presidente do comité, Yvette Cooper, disse: «O fracasso do governo em implementar medidas de quarentena adequadas em Março, altura em que a infecção se estava a espalhar rapidamente, foi um erro grave e fez com que a pandemia ganhasse velocidade e infectasse mais pessoas».

«O Reino Unido foi um caso quase único por não ter implementado verificações de fronteira ou acordos de quarentena naquela altura. Isso por si só deveria ter feito soar um alarme», afirmou a responsável acrescentado: «Muitas vezes os ministros disseram-nos que estavam a seguir a ciência, mas não conseguimos encontrar nenhuma ciência por trás da sua decisão completamente inexplicável de suspender todas as orientações de auto-isolamento para viajantes a 13 de Março, 10 dias antes do bloqueio».

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Cooper continuou: «Fomos informados de que milhares de pessoas infectadas com Covid-19 regressaram ao Reino Unido depois de a orientação ter sido levantada. Em meados de Março, quando o número de pessoas infectadas estava no auge, a população regressava ao trabalho e aos transportes públicos sem quarentena».

O fracasso do governo em fornecer os pareceres científicos por trás das suas decisões, apesar dos repetidos pedidos e promessas para fazê-lo, foi «completamente inaceitável», disse o comité, que alertou para o facto de que os ministros podem estar a tomar decisões sem a visão de «informações críticas».

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