Reino Unido: Menos de 41 mil votos podem impedir saída da UE, diz organização pró-europeia

Bastam 40.704 votos para impedir uma maioria absoluta do Partido Conservador nas eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro, calculou a organização pró-europeia Best for Britain, que voltou hoje a encorajar os eleitores a votarem taticamente em candidatos pró-europeus.

Executive Digest

Bastam 40.704 votos para impedir uma maioria absoluta do Partido Conservador nas eleições legislativas britânicas de 12 de dezembro, calculou a organização pró-europeia Best for Britain, que voltou hoje a encorajar os eleitores a votarem taticamente em candidatos pró-europeus.

Um estudo encomendado por esta organização identificou 36 circunscrições onde entre 82 e 2.454 votos serão suficientes para derrotar os candidatos do partido do primeiro-ministro, Boris Johnson, que quer completar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 31 de janeiro.

A diretora da organização, Naomi Smith, disse hoje numa conferência de imprensa em Londres que “se um número suficiente de ‘Remainers’ [cidadãos favoráveis à permanência na UE] conseguir tapar o nariz, estamos muito perto de conseguir uma última palavra num referendo”.

Formada por empresários e ativistas, incluindo Gina Miller, que protagonizou os processos judiciais que forçaram o governo a consultar os deputados antes de desencadear o processo do Brexit e que consideraram ilegal a suspensão do parlamento este ano, a organização Best for Britain foi formada em 2017 para promover um segundo referendo e impedir, “através de meios democráticos”, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Se um número suficiente de eleitores votar taticamente contra os ‘tories’, a organização acredita que, através de uma votação coordenada dos eleitores nos círculos mais disputados, é possível aumentar o número de deputados dos partidos da oposição para 322 e reduzir os do Partido Conservador para 309, resultando num parlamento dividido.

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Com base numa sondagem, feita no final da semana passada, especialistas analisaram as intenções de voto de mais de 28 mil eleitores britânicos e aplicaram variáveis democráticas como a idade, género e qualificações académicas, densidade populacional e resultados das eleições nos últimos três anos.

A metodologia, chamada Multilevel regression and poststratification (MRP), foi usada para prever com sucesso o desfecho das legislativas britânicas de 2017 e da eleição parcial de Peterborough em junho, quando o Partido Trabalhista derrotou por apenas 683 votos o candidato do Partido do Brexit.

Segundo este estudo, a vantagem do Partido Conservador encurtou desde o final de novembro, mas a sondagem continua a projetar uma maioria absoluta de 345 assentos (366 em novembro) nos 650 da Câmara dos Comuns, enquanto que Trabalhistas, Liberais Democratas, Partido Nacionalista Escocês (SNP), Verdes e Plaid Cymru juntos contam apenas 286 deputados.

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Através do portal Get Voting [https://getvoting.org], os eleitores podem inserir o código postal e este indica qual é o candidato com maior possibilidade de derrotar os adversários conservadores, tendo sido identificados 467 trabalhistas, 99 Liberais Democratas, três Verdes, 4 do Plaid Cymru e 17 do Partido Nacionalista Escocês (SNP).

Naomi Smith lamentou que a retirada do Partido do Brexit de 317 circunscrições dominadas pelo Partido Trabalhista tenha, na prática, resultado numa aliança eleitoral de partidos eurocéticos, enquanto que os partidos pró-europeus não se entenderam, o que, criticou, “significa que têm de ser os eleitores a fazer o trabalho por eles”.

Os Liberais Democratas, Verdes e nacionalistas galeses do Plaid Cymru nomearam candidatos únicos em 60 circunscrições, renovando o pacto que ajudou a liberal democrata Jane Dodds a derrotar o conservador Chris Davies na eleição parcial de agosto em Brecon e Radnorshire, mas o Partido Trabalhista recusou juntar-se.

“Não estamos a dizer às pessoas em quem votar, estamos a oferecer uma plataforma se eles quiserem saber como parar o Brexit, se isso for o principal fator para irem votar na quinta-feira”, vincou a empresária Naomi Smith.

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