O Reino Unido ficou 18 dias seguidos sem produzir energia a carvão, sendo este o período mais longo desde a revolução industrial. O marco foi registado numa altura em que a procura por energia caiu quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado, já que a maioria das empresas permanece fechada devido ao surto de coronavírus, de acordo com o ‘Independent’.
Esta situação resulta num corte nas emissões de CO2 do Reino Unido de cerca de um terço, segundo análise do site climático Carbon Brief. Enquanto as fábricas de carvão do Reino Unido estão offline, as energias renováveis têm sido a maior fonte de electricidade produzida no país, contribuindo com 37%, já o gás contribuiu com 32% e a energia nuclear com 22%. Os 9% restantes foram importados da França, Bélgica e Holanda.
O carvão tem contribuído cada vez menos para as fontes de energia no Reino Unido, à medida que as fábricas foram colocadas offline, o país pretende deixar de produzir energia a carvão em 2025.
O uso do carvão geralmente diminui nos meses mais quentes e, desde o verão passado, a maior contribuição do carvão à energia do Reino Unido foi no final de Janeiro, quando representava 6,9% das fontes de energia.
Em 2015 o carvão contribuía com mais de 50% da energia usada pela rede e ainda representava 25% do total das fontes de energia em 2016, de acordo com registos da ‘Drax Electric Insights’.
O primeiro dia sem carvão foi registado em 2017 e, até ao recorde deste mês, o período mais longo anterior sem carvão verificou-se em Maio de 2019, quando a energia do carvão não contribuiu em nada para a rede durante duas semanas. No geral, o carvão contribuiu com apenas 2,1% do total de fontes de energia do país em 2019.
Jonathan Marshall, chefe de análise da Unidade de Energia e Clima disse: «Esta situação representa outro marco notável na diminuição da energia de carvão no Reino Unido, e não será o último», refere citado pelo ‘Independent’.
«Os especialistas sugeriram que a crise do novo coronavírus vai acelerar a transição energética, uma vez que os sistemas com fontes renováveis que mais contribuem para a produção de energia oferecem uma prática valiosa na gestão da rede do futuro», afirma o responsável.
Após o encerramento de duas fábricas a carvão em Março de 2020, apenas três delas continuam activas no Reino Unido: Drax, Ratcliffe e West Burton, e ainda a Kilroot, na Irlanda do Norte.









