Reino Unido: autoridades investigam mais de 150 mortes notificadas entre utilizadores de medicamentos para emagrecer

No total, o sistema de farmacovigilância recebeu cerca de 150 mil notificações de efeitos adversos relacionados com estes tratamentos

Francisco Laranjeira

Mais de 150 mortes foram notificadas no Reino Unido entre pessoas que utilizavam medicamentos para emagrecer, segundo os dados mais recentes da Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), a autoridade britânica do medicamento.

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No total, o sistema de farmacovigilância recebeu cerca de 150 mil notificações de efeitos adversos relacionados com estes tratamentos, embora as autoridades sublinhem que os casos não provam que os medicamentos tenham sido a causa dos óbitos.

Os números abrangem os três principais fármacos deste grupo atualmente disponíveis no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS): liraglutido (Saxenda), semaglutido (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro).

A tirzepatida, comercializada como Mounjaro, concentra a maior parte das notificações, com mais de 100 mil relatos de efeitos adversos e 98 mortes notificadas. Já o semaglutido, vendido como Wegovy, soma quase 50 mil notificações e 37 mortes, enquanto o liraglutido, conhecido como Saxenda, regista cerca de quatro mil notificações e também 37 mortes.

Segundo os dados do sistema Yellow Card, utilizado por doentes e profissionais de saúde para comunicar suspeitas de reações adversas, os problemas mais frequentemente reportados são perturbações gastrointestinais, como náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e refluxo. Foram também registadas notificações relacionadas com doenças do sistema nervoso, perturbações psiquiátricas, problemas oculares e doenças cardiovasculares.

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A MHRA salienta, contudo, que estas notificações não estabelecem uma relação direta entre os medicamentos e os óbitos. Em muitos casos, as mortes podem estar relacionadas com doenças pré-existentes, patologias ainda não diagnosticadas ou outros fatores independentes do tratamento. Além disso, um mesmo doente pode originar várias notificações, pelo que os dados não correspondem ao número de pessoas afetadas.

A autoridade britânica lembra ainda que foram prescritas milhões de doses destes medicamentos no Reino Unido e que o aumento das notificações também reflete a crescente utilização destes tratamentos e uma maior sensibilização para a importância de comunicar possíveis efeitos secundários.

“Com base na evidência atualmente disponível, os benefícios dos agonistas do recetor GLP-1 continuam a superar os riscos potenciais quando utilizados de acordo com as indicações aprovadas”, refere a MHRA.

Também os fabricantes responderam aos dados divulgados. A Novo Nordisk, responsável pelo Wegovy e pelo Saxenda, afirmou que a segurança dos doentes é uma prioridade e recordou que todos os medicamentos podem provocar efeitos secundários, devendo ser utilizados sob acompanhamento médico.

Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, indicou que monitoriza continuamente a segurança dos seus medicamentos e apelou aos doentes para que comuniquem quaisquer reações adversas através do sistema Yellow Card e consultem um profissional de saúde sempre que surjam sintomas preocupantes.

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