Marçal Grilo, ex-ministro da Educação do Governo de Pedro Passos Coelho, defendeu, em entrevista à rádio “Observador”, o regresso às escolas em Maio, mas numa espécie de «regime militar» para controlar a propagação do vírus.
Para o antigo governante, os alunos – das creches às universidades – constituem um «grupo perigoso como portadores do vírus». Por isso, considera que «a forma como as escolas funcionam tem de ser no regime quase militar, para que haja regras muitíssimo estritas e para que sejam cumpridas».
«Sabemos que isto se propaga através do contacto entre as pessoas, é preciso ter um enorme cuidado. Nas escolas, as normas de limpeza e higienização das superfícies implicam uma responsabilidade enorme», sublinhou.
Quanto ao ensino superior, crê que o surto do novo coronavírus veio introduzir «uma grande desigualdade e heterogeneidade na forma como as pessoas são tratadas porque cada um tem um background diferente», diz, referindo-se, por exemplo, ao facto de muitos estudantes estarem impedidos de participar em aulas virtuais por não terem computador ou acesso à Internet.
4 de Maio é a data limite para regresso às aulas
O primeiro-ministro não descarta a reabertura das escolas. «A data limite para que o calendário escolar possa ser cumprido, com ensino presencial, designadamente no secundário, é 4 de Maio», revelou António Costa, em entrevista à rádio “Renascença”.
O chefe do Governo afirmou que, a começar nessa data, «podemos ter época de exames no final de Julho e um ciclo de pausa em Agosto, com segunda fase em Setembro».
A decisão será anunciada, como avançado pelo primeiro-ministro, na próxima quinta-feira, dia 9 de Abril, depois de um conjunto de reuniões na terça, onde será conhecida a análise de um grupo de epidemiologistas. «Quer se retome ensino presencial ou seja apenas parcial», uma das medidas urgentes a tomar pelo Governo «é complementar o ensino digital através da televisão».
Professores pedem respostas
Entretanto, também nesta sexta-feira, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançou novos alertas e deixou recados. «Reiteramos que não faz sentido manter as provas de aferição, bem como as provas finais de 9.º ano, devendo a avaliação interna dos alunos ser bastante neste final de ciclo; em relação aos exames do ensino secundário é, igualmente, necessário decidir se serão mantidos e, nesse caso, recalendarizá-los, podendo, em limite, serem realizados já depois das férias de Verão ou, se é possível prescindir deles, sendo definido um regime excepcional de acesso ao ensino superior. Se for essa a opção, as instituições de ensino superior terão de ser envolvidas no processo», defende o líder da Fenprof, Mário Nogueira.
Os professores criticam, uma vez, o silêncio da tutela. «As aulas presenciais não serão retomadas em 14 de Abril, sendo, até, possível que não haja condições para se retomarem ainda neste ano lectivo. E é neste quadro que se vão anunciando hipóteses de trabalho para o que ainda falta do ano lectivo, curiosamente, referidas pelo primeiro-ministro ou pelo ministro da Economia, tornando-se evidente, uma vez mais, a ausência de quem se esperaria que estivesse na primeira linha da informação aos portugueses», diz, numa crítica ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.
«Apresenta-se o digital como um dos recursos a usar, mas não se pode esquecer que são milhares os alunos que não têm computador ou que não têm acesso à Internet em suas casas e cresce o número dos que se veem privados desses recursos, uns porque os seus pais ficaram desempregados ou são vítimas de lay-off (e alguma despesa é preciso cortar) e outros porque se encontram em teletrabalho, com horário a cumprir», aponta. Sobre os professores, lembra que «existem também professores que não têm acesso a estes recursos, outros têm e estes, apesar das dificuldades em que muitos se encontram (precariedade, horários incompletos, entre outras situações), asseguram financeiramente os recursos, ligações web e outros para manter o contacto e o acompanhamento dos seus alunos, para além de terem também de partilhar os seus equipamentos com os filhos».
A televisão, acrescenta, «é outro recurso que tem sido referido e que poderá ser utilizado», mas «não se espere que esse seja o meio que permitirá superar todos os constrangimentos».
O segundo Estado de Emergência entrou em vigor à meia-noite desta sexta-feira, pelo período de 15 dias previstos na Constituição, que termina às 23:59 dia 17.
Portugal regista, neste momento, 9.886 infectados pelo novo coronavírus e 246 vítimas mortais, mais 37 do que ontem, segundo dados do último boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta sexta-feira, 3 de Abril.
*Notícia actualizada às 17:08








