Raquel Duarte, professora da Faculdade de Medicina do Porto e médica pneumologista, considera que se existir um levantamento cauteloso das medidas de confinamento, aliado a uma boa estratégia de vacinação, Portugal pode chegar brevemente a uma «vida quase normal».
Em entrevista à Renascença, a responsável indica que «a cautela poderá levar o país a dar passos seguros no desconfinamento», sublinhando que «caso o levantamento de medidas seja cauteloso e acompanhado das habituais medidas de prevenção pública e individual, além de uma boa estratégia de vacinação, Portugal poderá chegar em breve a uma vida quase normal».
A especialista, uma das figuras convidadas do Governo para desenvolver o plano de desconfinamento, defende que seria «prudente aguardar para ver nos próximos dias o que é que vai acontecer», considerando que «passos pequenos e certos» permitem «garantir que o caminho é sempre em frente», sem recuos.
A estratégia de desconfinamento da responsável passa por avançar «de meta em meta», tendo sempre em conta a evolução dos indicadores epidemiológicos. Raquel Duarte não concorda que se datem as diferentes etapas, «porque ainda não estamos a ter uma visão adequada e completamente nítida do efeito quer do fim de semana da Páscoa, quer do levantamento das primeiras medidas restritivas», disse citada pela ‘Renascença’.
«É evidente que estamos a falar da incidência, da transmissibilidade, mas também devemos olhar para o efeito da pandemia. Nesta altura, começamos a ter a população vacinada, a população de maior risco de formas graves da doença e de mortalidade já está a ser vacinada, portanto vamos ter menos efeito nos serviços de saúde», afirma.
A especialista acrescenta ainda: «Estamos a testar mais. Há pouco tempo, fazíamos cerca de 30 mil testes por dia. Estamos a fazer cerca de 60 mil testes por dia, o que quer dizer que apesar de tudo também estamos a testar mais, estamos a detetar mais precocemente, a implementar as medidas de saúde pública, mas é preciso alguma cautela», volta a reforçar.
Vacina tem de chegar a toda a gente
Raquel Duarte considera ainda que a vacina contra a Covid-19 «tem de chegar a toda a gente» de forma igual, para que seja possível acabar de vez com o vírus. «Enquanto houver vírus circulante, pode haver transmissão e pode chegar a qualquer lugar do mundo», por isso importa pensar numa distribuição equilibrada da vacina.
«Só quando pensarmos que a vacina tem de chegar a toda a gente a todo o mundo da mesma forma é que vamos conseguir resolver este problema. Não vale a pena sermos nacionalistas e falar da nossa vacina, da vossa vacina. A vacina tem de chegar a todo o mundo», alerta à ‘Renascença’.
Ainda assim, a especialista assume que não há certezas de por quanto tempo protege a população, nem que não possa surgir uma variante do novo coronavírus que contorne as defesas oferecidas pela vacina.
«Aquilo que sabemos é que a vacina é eficaz e reduz claramente as formas graves da doença, tem um efeito óbvio na mortalidade. Vai ser preciso repetir a vacinação? Provavelmente. Irão surgir novas variantes? Muito provavelmente. No fundo, vamos ter é de continuar a encontrar armas. Se calhar, vamos ter de repetir a vacinação com alguma periodicidade que está ainda por determinar», refere.














