O regresso às aulas implica alguns preparativos para todos os envolvidos. Se os mais novos rumam às lojas para encontrar cadernos novos, os professores vêem-se a braços com a tarefa de planear conteúdos. Este ano, o início de um novo ano lectivo poderá envolver também a elaboração do próprio obituário.
Segundo avança a CNN, há professores nos Estados Unidos da América a escrever os seus obituários como forma de protesto. Querem mostrar que não se sentem confortáveis com a reabertura das escolas, especialmente naquele que é o país mais afectado pela COVID-19 em todo o Mundo, aproximando-se a passos largos dos cinco milhões de casos confirmados.
Sarah Backstrom, professora que se mudou recentemente para Des Moines, no estado de Iowa, explica que não escrever o seu obituário não é algo que tenha feito de ânimo leve. Contudo, espera que sirva para lembrar à governadora deste estado, Kim Reynolds, que os professores são pessoais reais.
«Não existe nada que possa substituir o cara-a-cara com um aluno», sublinha a professora, citada pela CNN. «Existe algo realmente mágico que acontece numa sala de aula quando estamos todos neste espaço», começa por dizer Sarah Backstrom, contando que foi informada de que irá dar aulas 100% virtuais a crianças de três escolas básicas.
«Mais do que qualquer coisa, quero estar na sala de aula e quero estar nas minhas escolas, mas também não quero ficar doente e não quero que a minha mãe fique doente», acrescenta.
Sarah Backstrom será, no entanto, um dos poucos casos de professores a ter a possibilidade de ensinar à distância. O estado do Iowa impõe que pelo menos metade das actividades lectivas seja realizada presencialmente, impedindo que as escolas solicitem uma educação exclusivamente online a menos que a respectiva província apresente uma taxa de contágio de pelo menos 15%.
A governadora afirmou ainda esta semana que as escolas que tiverem apenas aulas online sem autorização estariam a desafiar a lei estatal. «As crianças precisam de estar numa sala de aula», disse.



