Regime do Kremlin em “séria ameaça pela primeira vez desde que Putin chegou ao poder”, avisa especialista

Mark Galeotti acredita que, nesta fase, qualquer pessoa na Rússia está em risco

Francisco Laranjeira
Março 28, 2022
7:15

O regime de Vladimir Putin parece estar “sob uma série de ameaças pela primeira vez” desde que chegou ao poder, revelou o britânico ‘Mirror’, que dá ênfase às declarações de Mark Galeotti, professor honorário de Estudos Eslavos e Europa de Leste da University College London School, que referiu que a guerra na Ucrânia “transformou-se num desastre” e assim “todos estão a procurar culpar outras pessoas”.

O desejo de Putin em implementar uma mudança de regime para os ucranianos e a sua confiança de que os invasores russos seriam bem-vindos por multidões a agitar bandeiras estava, como se tem visto, completamente errado. Mark Galeotti acredita que, nesta fase, qualquer um na Rússia está em ‘risco’. “Qualquer um pode ser denunciado como belicista ou traidor na mente de Putin. O presidente russo está furioso porque muitos jovens soldados da Guarda Nacional, uma força paramilitar cujo papel em tempos de paz era reprimir os protestos nas cidades russas, estão em protesto. Já na Ucrânia, sentem que estão a ser tratados como ‘carne para canhão’.”



Mark Galeotti, autor do livro ‘We Need To Talk About Putin’, apontou que os cidadãos russos acreditam no que está a ser dito na televisão estatal, com muitos ainda a crer que a operação militar em curso está a ser bem-sucedida. “A maioria das pessoas comuns na Rússia acredita na versão da TV estatal, que uma operação militar bem-sucedida está em andamento para expulsar uma cabala neonazi em Kiev e impedir a limpeza étnica ou mesmo o genocídio nuclear contra os russos na Ucrânia.”

“Quando esta mentira for exposta, as pessoas podem começar a voltar-se contra o homem do topo – a forma como os seus correligionários responderem vai determinar o destino de Putin”, referiu o autor.

“Como o resto dos homens de confiança de Putin, eles são motivados pela ganância e o seu objetivo é o poder pessoal. Eles querem ganhar muito dinheiro e gastá-lo em propriedades em Londres e no Mediterrâneo, ou enviar os seus filhos para escolas ocidentais”, apontou Mark Galleoti. “Atualmente, as sanções tornam isso muito difícil. Como resultado, eles estão a ficar preocupados. Ninguém no FSB quer que a Rússia se transforme no equivalente europeu da Coreia do Norte.”

Vladimir Putin tem escolhido figuras chave na polícia secreta, no FSB e na classe política numa tentativa de manter o seu poder enquanto a guerra continua mas os rumores crescem sobre o mal-estar, com acusações mútuas pelo fracasso. “Nunca, desde o colapso da União Soviética, houve rumores e contra-rumores tão fervorosos no Kremlin. Está a formar-se uma pelotão de fuzilamento circular, com todos a apontar as suas armas uns para os outros – e quando os recrutas começarem a regressar da frente ucraniana, trazendo consigo histórias do horror da guerra, a temperatura política só vai aumentar.”

“Não acredito que se esteja a formar um golpe do FSB, pelo menos ainda não. Os russos conhecem a sua própria história e entendem que a mudança de regime só acontece quando a polícia secreta, os militares e os políticos atuam juntos – como fizeram em 1991, quando o presidente Mikhail Gorbachev foi derrubado”, fechou o autor.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.