A ideia de que as plantas de interior devem ser regadas uma vez por semana continua amplamente difundida. No entanto, essa prática, apesar de funcionar para algumas espécies, pode revelar-se desadequada e até prejudicial para muitas outras. O alerta é feito por Jonny Balchandani, entusiasta de jardinagem que mantém entre 5.000 e 6.000 plantas em casa e partilha regularmente conselhos com os seus seguidores nas redes sociais.
A diversidade de necessidades hídricas no mundo vegetal é significativa. Espécies como fetos, calatheas ou copos-de-leite tendem a exigir maior quantidade de água, enquanto catos, suculentas ou a planta-de-jade toleram períodos mais prolongados de secura. Ainda assim, determinar o momento certo para regar continua a ser uma das maiores dificuldades para quem cultiva plantas em ambiente doméstico.
O método simples que substitui o calendário
Em declarações ao jornal britânico The Independent, Balchandani propõe uma alternativa prática ao calendário fixo. “Mete o dedo na terra antes de regar. Se ao tirá-lo encontrares terra agarrada, não toques na planta. O mesmo princípio aplica-se com um palito”, explica.
O especialista detalha que o teste é simples: se o dedo sair com vestígios de terra húmida, significa que o substrato ainda retém água suficiente. “Se tirares o dedo e quase não houver terra, ou nenhuma, está completamente seco. Então, molha bem, deixa escorrer e volta a colocá-la no sítio”, acrescenta.
Segundo Balchandani, o problema não está apenas na frequência, mas também na quantidade de água utilizada. “Há casos de rega excessiva, como quando rego demasiado com uma chávena pequena, ou até uma chávena a mais, e depois há quem deite um litro por dia. Se for só uma chávena, não há problema, mas se sentirmos aquele cheiro horrível de água estagnada que ficou no fundo do vaso porque não tem furos de drenagem, podemos não ter tanta sorte”, adverte.
O perigo da água acumulada e a solução em caso de excesso
A ausência de drenagem adequada é apontada como um dos principais fatores de risco. A acumulação de água no fundo do vaso favorece o apodrecimento das raízes e o aparecimento de insetos, como pequenos mosquitos associados a substratos encharcados.
Caso a planta tenha sido regada em excesso, o especialista aconselha a removê-la do vaso e permitir que o substrato seque antes de reutilizá-lo. “Se não o fizeres e estiver cheia de mosquitos, livra-te dela”, sublinha.
O processo passa por inspecionar cuidadosamente o caule e as raízes, verificando se permanecem húmidos. Se houver sinais de podridão, recomenda-se cortar as zonas afetadas — e até “um pouco mais” para garantir que o tecido comprometido é totalmente removido. Depois, é essencial deixar que a planta “cicatrize um pouco” antes de a voltar a plantar.
Luz, ambiente e tamanho do vaso influenciam necessidades de água
A exposição solar é outro elemento determinante. Plantas que recebem muitas horas de luz tendem a necessitar de maior quantidade de água. “Realizam a fotossíntese. Criam açúcares e minerais benéficos. Transformam toda essa energia em alimento, o que consome mais água. Se tiveres a tua planta de interior num espaço mais escuro, não precisarás de água com tanta frequência”, explica.
Além da luminosidade, fatores como o tamanho do vaso, o tipo de substrato, a circulação de ar, a incidência de luz e até a presença de aquecimento central influenciam a velocidade com que a terra seca.
No caso das plantas tropicais ou de interior mais sensíveis, Balchandani recomenda colocá-las num espaço com humidade constante, de forma a reproduzir as condições do seu habitat natural.
A principal conclusão deixada pelo especialista é clara: mais do que seguir uma rotina rígida, importa observar a planta e compreender o seu ambiente. A rega deve responder às necessidades reais do momento — e não a um calendário fixo.




