Fugir da guerra na Ucrânia é um esforço perigoso – quase 4 milhões de refugiados já deixaram solo ucraniano desde a invasão da Rússia em fevereiro, sendo que a maioria são mulheres e crianças – os homens entre os 18 e 60 anos são obrigados a permanecer na Ucrânia para defender o país contra as tropas russas. Desesperadas para escapar dos ataques russos a civis, estas mulheres e crianças têm rumado principalmente para a Polónia e outros países europeus na fronteira. Diversas organizações humanitárias rapidamente estabeleceram programas para fornecer aos refugiados ucranianos comida e abrigo. No entanto, têm chegado relatos de diversos abusos nos locais onde os refugiados procuraram segurança.
Em diversos países, as pessoas ofereceram as suas casas para albergar refugiados ucranianos, adianta um artigo da publicação ‘The Conversation’. Mas esses esforços, por mais bem intencionados que sejam, trazem novos riscos de violência sexual e tráfico para mulheres e crianças. As Nações Unidos já alertaram para o alto risco de poderem ser traficadas para fins sexuais ou de trabalho, sobretudo as crianças separadas da família. Até ao último dia 14 de março, pelo menos 500 crianças já cruzaram a fronteira da Ucrânia para a Roménia por conta própria e muitas deverão seguir.
Estima-se que uma em cada 5 mulheres ou meninas refugiadas sofram violência sexual durante as suas viagens, bem como em locais como campos de refugiados e abrigos – correm também um alto risco de tráfico. Um fenómeno que não se esgota na Europa. Redes criminosas em lugares como o México e a Líbia são conhecidas por atacar ao longo das rotas migratórias.
As organizações humanitárias, Governos e ONG, em primeiro lugar, dão comida, abrigo e outros serviços básicos aos refugiados e não se concentram em formas de prevenir ou responder à violência sexual. Nos últimos 20 anos, tem havido uma atenção crescente aos trabalhadores humanitários que cometem abusos contra as mesmas pessoas que deveriam ajudar. Em 2002, surgiram acusações de trabalhadores humanitários e forças de paz da ONU a abusar de civis na África Ocidental.
A violência sexual por parte de humanitários continua a ser um problema persistente em conflitos e crises de refugiados em todo o mundo.
As lições de décadas de trabalho sobre violência sexual, durante outras crises ao redor do mundo, podem ajudar a reduzir o risco de abuso para refugiados ucranianos. As pesquisas mostram que intérpretes femininas que foram treinadas para ajudar aqueles que sofrem de violência sexual são essenciais para ajudar os refugiados a procurar ajuda nos seus novos países. Também os programas de treino comunitário liderados por mulheres refugiadas para outros refugiados melhoraram a denúncia de violência contra as mulheres e aumentaram o número de mulheres que procurou ajuda policial, legal ou médica.



