Refinaria de Sines garante 85% do jet fuel nacional após reforço da produção da Galp

A refinaria da Galp em Sines reforçou a produção de combustível para a aviação na sequência da crise desencadeada pelo conflito no Médio Oriente e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, conseguindo assegurar cerca de 85% das necessidades nacionais de jet fuel.

Revista de Imprensa

A refinaria da Galp em Sines reforçou a produção de combustível para a aviação na sequência da crise desencadeada pelo conflito no Médio Oriente e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, conseguindo assegurar cerca de 85% das necessidades nacionais de jet fuel. A decisão surgiu numa altura em que a interrupção de uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo fez disparar os preços da matéria-prima e aumentou a pressão sobre o abastecimento de combustíveis, sobretudo os utilizados pelo setor da aviação.

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Segundo o Negócios, a refinaria de Sines, a única em território nacional, produzia habitualmente cerca de 80% do combustível de aviação consumido em Portugal, mas a Galp decidiu aumentar essa percentagem para 85%. A empresa optou por maximizar a produção de jet fuel em detrimento do gasóleo destinado à exportação, uma estratégia resumida pela própria petrolífera como uma decisão de “make em vez de buy”. A empresa sublinhou que esta opção não teve impacto no abastecimento de gasóleo ao mercado nacional, uma vez que o combustível cuja produção foi reduzida destinava-se aos mercados externos.

Apesar do reforço da produção em Sines, continuou a ser necessário recorrer ao mercado internacional para suprir os restantes 15% das necessidades nacionais. Em junho, a Galp já tinha confirmado que essas importações estavam contratadas junto de fornecedores da bacia atlântica, sem revelar a origem por razões comerciais. No entanto, segundo o jornal, foram os Estados Unidos que acabaram por assegurar praticamente a totalidade do combustível em falta. Paralelamente, o Estado intensificou contactos diplomáticos com países considerados estratégicos para o abastecimento energético, como Brasil, Argélia e Nigéria, face ao risco de perturbações no fornecimento.

A estratégia seguida em Sines foi igualmente adotada por refinarias noutros países europeus e também nos Estados Unidos, onde a produção foi direcionada para o combustível de aviação numa altura em que o consumo de gasóleo tende a diminuir durante o verão. Ainda assim, a limitação da capacidade de refinação de jet fuel na Europa provocou um forte aumento da procura por combustível proveniente dos EUA. Dados do setor citados pelo Negócios apontam para um crescimento superior a 500% das importações europeias de jet fuel norte-americano face aos níveis registados em 2025.

O contexto resulta do bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético mundial. De acordo com os dados referidos pelo jornal, esta passagem concentra cerca de 69% do jet fuel mundial e por ela transitam aproximadamente 44% das importações marítimas deste combustível essencial para a aviação. Neste cenário de escassez e elevada procura, os Estados Unidos acabaram por assumir um papel central no abastecimento europeu, enquanto Portugal conseguiu mitigar os efeitos da crise graças ao reforço da produção na refinaria de Sines.

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