Reestruturação da agência de notícias finlandesa STT leva a receios de fecho de operações

A agência de notícias finlandesa STT está a planear uma reestruturação significativa das suas operações, decorrente da sua persistente falta de lucro, o que levanta receios sobre o encerramento das operações de notícias e de fotografia.

Executive Digest com Lusa

A agência de notícias finlandesa STT está a planear uma reestruturação significativa das suas operações, decorrente da sua persistente falta de lucro, o que levanta receios sobre o encerramento das operações de notícias e de fotografia.

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A informação da reestruturação foi avançada esta semana pela STT, uma das mais antigas agências noticiosas do mundo, tendo a Federação Europeia de Jornalistas (EFJ, sigla em inglês) se juntado à sua afiliada, a União dos Jornalistas da Finlândia (UJF), para expressar a sua profunda preocupação com este anúncio.

A STT foi fundada em 1887, o que a torna uma das agências de notícias mais antigas do mundo. A divisão de Serviços de Comunicação da STT foi criada em 2004 e, em 2010, a agência de notícias finlandesa adquiriu a Lehtikuva, a agência de fotografia mais antiga da Finlândia, fundada em 1951.

Em comunicado, a STT informou que está a ser planeada uma “reestruturação significativa” das suas operações, o que decorre da persistente falta de lucratividade das suas atividades como agência de notícias e imagens, bem como pela impossibilidade de encontrar um grupo de proprietários suficientemente amplo e disposto a assumir responsabilidade pelo desenvolvimento do negócio.

As negociações desta reestruturação serão iniciadas cobrindo quase todos os funcionários da STT para analisar os possíveis impactos do plano.

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“A reestruturação poderá levar ao encerramento das atuais operações da STT”, mas a STT Communication Services, responsável pelo serviço de distribuição de comunicados à imprensa STT Info, não será incluída nessas negociações, e não há planos de alteração nas suas operações, de acordo com a informação divulgada.

A operação da STT nas notícias e imagens “tem sido deficitária há muito tempo” e a estrutura e a oferta de produtos passaram por uma reestruturação recente na mudança de 2025 para 2026, quando o grupo de media Sanoma deixou de subscrever os serviços da agência noticiosa finlandesa.

“No entanto, na prática, não alcançamos os ajustes pretendidos, e os custos continuam a superar as receitas. Inevitavelmente, enfrentaríamos uma nova vaga de mudanças, e não acreditamos ser possível oferecer aos clientes um nível adequado de serviço com uma operação menor do que a atual. Manter o negócio de agência de notícias e imagens da STT com sua atual base de clientes não é viável”, afirma o presidente executivo (CEO) da STT, Kimmo Laaksonen, citado em comunicado.

Outro motivo para o plano de reestruturação é que nenhuma das partes — entre proprietários ou clientes da STT — “demonstrou interesse em assumir o desenvolvimento do negócio da STT para colocá-lo numa base sustentável”.

Segundo a STT, o pior cenário é que a reestruturação possa “resultar na eliminação de 95 cargos”.

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Segundo o plano, as atividades, no seu formato atual, poderão ser encerradas em março. “As negociações envolvem 95 funcionários: 68 deles atuam nas equipas editoriais de texto ou fotografia, enquanto os demais trabalham em outros serviços da STT, em áreas de desenvolvimento, operações comerciais ou TI”.

A STT era, tradicionalmente, detida pelos clientes. A Sanoma Media Finland tornou-se a acionista maioritária da STT em 2018, quando a Alma Media e a TS-Yhtymä alienaram as participações.

No último ano, a Sanoma procurou uma solução na qual a propriedade da STT e a responsabilidade pelo seu desenvolvimento fossem partilhadas de forma mais ampla entre os utilizadores do serviço da agência de notícias, e estava disposta a abrir mão de sua participação por um valor simbólico.

“Recuperar o negócio da agência de notícias STT exigiria um trabalho de desenvolvimento de longo prazo e proprietários comprometidos com esse esforço. Infelizmente, não conseguimos encontrar tal comprometimento. O Conselho de Administração e os principais acionistas da STT são unânimes quanto à necessidade de reestruturação”, afirma Petteri Putkiranta, presidente do Conselho de Administração da STT, citado no comunicado.

A Federação Europeia de Jornalistas refere que “a STT é a fonte de informação mais confiável da Finlândia, sendo responsável por produzir muitas das notícias nacionais e internacionais que são posteriormente veiculadas” por medias regionais, de acordo com inquérito recente (https://reptrust.com/en/uutismedioiden-luottamusmaine-2026/).

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“O possível encerramento da STT seria um rude golpe para o panorama informativo da Finlândia, numa altura em que as notícias fiáveis e independentes” são mais importantes do que nunca, segundo o secretário-geral da EFJ, Ricardo Gutierrez, citado em comunicado.

“Uma agência de notícias nacional é uma infraestrutura de interesse público: se deixar de existir, os media regionais e locais perdem uma fonte vital, e os cidadãos perdem o acesso a informações fiáveis. Manifestamos o nosso apoio à nossa afiliada finlandesa, a UJF, e aos 95 colegas cujos empregos estão em risco, e instamos o governo finlandês a fornecer apoio prometido e a garantir um futuro sustentável para a STT”, remata.

Se a STT encerrar as atividades, a Finlândia tornar-se-á uma exceção entre os países ocidentais, a maioria dos quais ainda mantém uma agência de notícias nacional.

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