Reembolso de IRS: 12 estratégias e ideias para o usar no reforço das suas finanças pessoais

O reembolso de IRS pode ser uma oportunidade estratégica para melhorar a saúde financeira, reduzir encargos e criar estabilidade a longo prazo.

Pedro Zagacho Gonçalves

O reembolso de IRS pode ser uma oportunidade estratégica para melhorar a saúde financeira, reduzir encargos e criar estabilidade a longo prazo. Contudo, este ano, muitos contribuintes poderão receber menos do que no ano anterior (e alguns poderão até ter de pagar imposto adicional).

Devido aos ajustes nas tabelas de retenção na fonte realizados no ano passado, é provável que o reembolso de IRS este ano seja inferior ao de 2025. Ainda assim, qualquer montante devolvido pode representar um impulso relevante na organização das finanças pessoais.

Independentemente da quantia recebida, especialistas defendem que o essencial é evitar gastos impulsivos e aplicar o valor de forma estratégica. Conheça 12 formas de utilizar o reembolso de IRS para garantir maior estabilidade financeira.

Eliminar dívidas com juros elevados
Uma das decisões financeiramente mais eficientes é liquidar dívidas com taxas de juro elevadas, como as associadas a cartões de crédito. Um cartão com uma Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) de 19% pode representar um custo muito significativo se o saldo não for amortizado rapidamente.

Caso existam vários cartões ou créditos parcelados, a estratégia recomendada é listar as dívidas por ordem da taxa de juro e começar pelas mais caras. Esta abordagem reduz encargos futuros, alivia o orçamento mensal e diminui o risco de entrar num ciclo de endividamento.

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Além disso, ao baixar a taxa de esforço, melhora-se o perfil de crédito, o que pode permitir acesso a financiamento em melhores condições no futuro.

Amortizar outros créditos e reduzir prestações
Se tiver crédito pessoal, automóvel ou outro financiamento, pode ser vantajoso utilizar o reembolso para amortizar total ou parcialmente o capital em dívida. Mesmo uma amortização parcial pode reduzir significativamente os juros totais a pagar e aliviar a prestação mensal.

No caso do crédito habitação, a decisão exige maior ponderação. Normalmente, existe comissão de reembolso antecipado: 2% do valor amortizado em contratos com taxa fixa e 0,5% em taxa variável.

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No entanto, os contratos com taxa variável destinados à compra ou construção de habitação própria e permanente estão temporariamente isentos dessa comissão até ao final do ano. Esta pode ser uma janela de oportunidade para reduzir o capital em dívida sem custos adicionais — mas é essencial fazer contas antes de avançar.

Reforçar o fundo de emergência
Um fundo de emergência deve cobrir entre três e 12 meses de despesas essenciais, como renda, alimentação, transportes e saúde. Ainda assim, muitos portugueses não dispõem desta reserva.

Segundo o estudo “O Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspetiva Comportamental”, desenvolvido pelo Doutor Finanças em parceria com a Laicos – Behavioural Change, com chancela científica da NOVA IMS e da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, 42% dos portugueses não têm poupança suficiente para suportar três meses de despesas.

Sem esta almofada financeira, qualquer imprevisto, como desemprego ou uma despesa inesperada, pode obrigar ao recurso ao crédito.

Por exemplo, se o agregado familiar necessitar de 1.500 euros mensais para despesas essenciais, o fundo de emergência deverá situar-se entre 4.500 e 18.000 euros.

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O valor deve estar aplicado num produto com liquidez imediata, como conta à ordem remunerada ou depósito a prazo, garantindo acesso rápido em caso de necessidade.

Melhorar a eficiência energética da casa
Investir em eficiência energética pode gerar poupança estrutural. Substituir janelas antigas, adquirir eletrodomésticos com classificação energética A (segundo as novas etiquetas) ou instalar painéis solares são medidas que reduzem faturas e valorizam o imóvel.

Embora o Programa de Apoio Edifícios Mais Sustentáveis tenha sido cancelado, é aconselhável acompanhar futuras medidas do Fundo Ambiental.

Mesmo sem incentivos públicos, a poupança em energia e água ao longo do tempo pode compensar o investimento inicial.

Criar poupança para objetivos específicos
Se tem planos concretos, como férias, obras em casa ou compra de eletrodomésticos, pode canalizar o reembolso para uma poupança dedicada. Criar um depósito específico ou “mealheiro digital” ajuda a manter disciplina e evita recorrer a crédito para concretizar esses objetivos.

Preparar despesas anuais elevadas
Encargos como IMI, IUC, prémios de seguros ou despesas escolares tendem a concentrar-se em determinados períodos do ano. Criar uma reserva com o reembolso permite evitar desequilíbrios no orçamento.

Caso o valor não seja suficiente, uma alternativa é dividir a despesa anual por 12 e transferir mensalmente esse montante para uma conta separada.

Investir num plano poupança reforma
Subscrever um Plano Poupança Reforma (PPR) é uma forma de preparar o futuro com benefícios fiscais. É possível deduzir até 20% do valor investido à coleta de IRS, com limites máximos de:

400 euros até aos 35 anos
350 euros entre os 35 e os 50 anos
300 euros a partir dos 50 anos

Importa recordar que o levantamento fora das condições legais implica devolução dos benefícios fiscais acrescida de penalização de 10% por cada ano decorrido.

O PPR pode também funcionar como complemento ao fundo de emergência ou como poupança de longo prazo, desde que o perfil de risco esteja ajustado à idade e tolerância ao risco do investidor.

Criar poupança para os filhos
Abrir uma conta-poupança jovem, subscrever certificados de aforro ou até um PPR em nome dos filhos pode ajudar a financiar estudos superiores, entrada numa casa ou outras etapas da vida adulta.

Além da componente financeira, esta decisão tem um valor pedagógico importante na educação financeira.

Optar por produtos de capital garantido
Para quem tem perfil conservador, os certificados de aforro continuam a ser uma solução atrativa. A nova série (CA Série F) permite subscrições até 100 mil euros.

O investimento mínimo inicial é de 100 euros, com reforços a partir de 10 euros. O prazo máximo é de 15 anos, sendo possível resgatar após três meses.

A taxa base, indexada à Euribor a três meses, varia entre 0% e 2,5%. A partir do segundo ano, soma-se um prémio de permanência entre 0,25% e 1,75%, podendo a taxa máxima atingir 4,25%.

Também existem contas poupança remuneradas e depósitos a prazo, embora muitos apresentem taxas promocionais apenas nos primeiros meses.

Considerar investimentos com potencial de valorização
Se já dispõe de estabilidade financeira, pode criar uma carteira diversificada com ativos como certificados de aforro, ETF, ações, obrigações ou fundos de investimento.

Antes de investir, é essencial avaliar risco, retorno, custos e plataformas utilizadas. Construir a carteira de forma gradual pode ser uma abordagem prudente.

Apostar na formação profissional
Investir em cursos técnicos, especializações ou formações online pode traduzir-se em melhores oportunidades profissionais e aumento de rendimento no futuro. Este é um investimento com retorno potencial elevado a médio e longo prazo.

Reservar uma parte para bem-estar pessoal
Aplicar parte do reembolso no bem-estar físico e mental também é legítimo. Definir uma percentagem (por exemplo, entre 10% e 20%) permite usufruir do valor sem comprometer objetivos financeiros estruturais.

O equilíbrio entre responsabilidade e qualidade de vida é fundamental para uma gestão financeira sustentável.

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