“Reduzir despesas não é apenas uma abordagem defensiva, mas uma alavanca para o crescimento”, afirma o Country Manager da ERA Group

A aproximação de 2026 traz novos desafios às lideranças empresariais, num cenário económico global que combina maior resiliência com riscos estruturais persistentes.

André Manuel Mendes

A aproximação de 2026 traz novos desafios às lideranças empresariais, num cenário económico global que combina maior resiliência com riscos estruturais persistentes.

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A elevada dívida pública, o envelhecimento demográfico na Europa, a escassez de talento e a crescente fragmentação geopolítica estão a redefinir as regras da competitividade, obrigando as empresas a reverem prioridades estratégicas.

De acordo com a ERA Group, consultora especializada em otimização de custos e eficiência operacional, o próximo ciclo económico exigirá lideranças mais focadas na disciplina financeira e na criação de valor sustentável. Para a empresa, a gestão estratégica de custos será um dos principais fatores diferenciadores em 2026.

“Esperamos, para 2026, um ano de crescimento moderado, mas com desafios bastante significativos. A dívida pública elevada, o envelhecimento demográfico dos países europeus, a própria escassez de talento e uma fragmentação geopolítica, cada vez maior, são tudo elementos que estão a redesenhar as regras da competitividade. Para gerir com sucesso um negócio, é essencial que os líderes empresariais encarem a revisão e otimização de custos como prioridade no próximo ano. Reduzir despesas não é apenas uma abordagem defensiva, mas sim uma alavanca estratégica para o crescimento”, afirma João Costa, country manager da ERA Group.

Neste contexto, a ERA Group identifica cinco áreas críticas que irão distinguir as lideranças capazes de crescer de forma sustentada no próximo ano.

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A primeira passa pela gestão estratégica de custos como vantagem competitiva. Num ambiente de maior pressão sobre as margens, a consultora defende uma abordagem contínua e analítica à otimização de custos, centrada na eliminação de ineficiências estruturais, na renegociação com fornecedores e no redesenho de processos, libertando capital para investimento e reforçando a resiliência das organizações.

A eficiência operacional surge como a segunda prioridade, num contexto em que a volatilidade económica se tornou estrutural. Tensões comerciais, instabilidade geopolítica e a aplicação imprevisível de tarifas exigem maior flexibilidade e rapidez na tomada de decisão, suportada por dados e por uma monitorização rigorosa das despesas.

A terceira área crítica está ligada à adoção estratégica de novas tecnologias e da Inteligência Artificial. Embora a IA já demonstre impactos concretos na produtividade, a ERA Group alerta para a necessidade de uma implementação focada em ganhos operacionais reais e na mitigação da escassez de talento, acompanhada por uma governação responsável e alinhada com princípios éticos e regulatórios.

A gestão de talento, influenciada pelo envelhecimento demográfico e pela falta de mão de obra, ocupa o quarto lugar. A capacidade de atrair, reter e qualificar pessoas, bem como de integrar a migração como motor de crescimento económico, será determinante para a sustentabilidade das empresas, exigindo modelos de trabalho mais flexíveis e políticas de valorização do capital humano.

Por último, a ERA Group destaca a importância de gerir riscos num contexto multipolar. A ascensão de várias superpotências económicas obriga as empresas a repensarem cadeias de abastecimento, exposição a mercados e estratégias de mitigação de riscos, preparando-se para eventuais cenários de desaceleração ou recessão sem adiar decisões estruturais.

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