Redução ou restrições nos transportes não são a solução para a descarbonização, alerta Presidente da CIP

Esta terça-feira, aconteceu em Lisboa a Conferência Ibérica: “Mobilidade Sustentável: Desafios e Oportunidades da Descarbonização da Mobilidade”, que juntou responsáveis dos dois países.

A iniciativa foi promovida pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal, a Fundação Repsol, a CHP – Câmara de Comércio Hispano-Portuguesa e a CCILE – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola e contou com a presença de António Saraiva, Presidente da CIP, Carlos Moedas, Presidente da CML, Antonio Brufau, Presidente da Repsol e Jorge Delgado, Secretário de Estado da Mobilidade Urbana.

Sobre o tema, António Saraiva disse que “a mobilidade é um dos setores onde a descarbonização coloca maiores questões, económicas e sociais”, acrescentando que “os transportes são, e continuarão a ser, essenciais à economia e à sociedade. A sua redução, ou mesmo determinadas restrições, não serão solução, mas ao mesmo tempo não existe alternativa à redução drástica das emissões nos transportes.”

António Saraiva acrescentou que “a viabilidade e a segurança futura da indústria automóvel na sua transformação para uma mobilidade sustentável e com um balanço de emissões neutro, foram sinalizadas como prioritárias pela CIP e pela CEOE, num encontro à margem da Cimeira Luso-Espanhola de Trujillo, em 2021, considerando o setor automóvel um elemento estratégico para os objetivos da mobilidade sustentável, sem prejuízo da recuperação e transformação económica nos dois países.”

“Toda esta ‘revolução’, acompanhada de uma intensa componente política, legislativa e regulatória, só terá sucesso se forem criadas condições para uma evolução social tranquila, com preservação do emprego, com a seleção das novas infraestruturas que se revelarem indispensáveis, com empresas e setores envolvidos competitivos e, necessariamente, com custos comportáveis para as empresas utilizadoras e para os cidadãos.”

“Finalmente, não posso evitar deixar aqui uma nota de preocupação no que à disponibilidade de matérias-primas respeita. Desde metais e semimetais essenciais a muitos componentes, até ao lítio para as baterias, a sua real acessibilidade pode condicionar ou até, distorcer o desenvolvimento das melhores soluções”, concluiu o Presidente da CIP.

Já o presidente da CML referiu-se à transição energética como “o maior desafio das nossas vidas” e disse que há consciencialização por sermos um país europeu. “Este é um assunto que já tem muitos anos de discussão na Europa, muito antes de se tornar central no discurso atual.”

O responsável definiu assim três desafios essenciais para essa transição. “O económico, que deve assegurar que o crescimento é compatível com a redução de emissões. Crescer tem que ser compatível com o combate às alterações climáticas, e a Europa já provou que isso é possível, pois cresceu ao mesmo tempo que fez um esforço para reduzir emissões. O tecnológico, que através da ciência terá que resolver a questão dos custos de produção, e o social, pois é preciso consciencializar as pessoas para a necessidade desta mudança.”

Por fim, Jorge Delgado referiu o direito à mobilidade como um direito fundamental. “Só assim teremos maior coesão territorial, mais inclusão social e maior igualdade de oportunidades para todos. Só assim teremos uma economia mais justa e sustentável, um mundo onde valha a pena viver.”

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