Ainda há anos de trabalho pela frente para digerir toda a informação gerada durante as fases de medidas mais apertadas para enfrentar a pandemia de Covid-19, mas para já, assinala ao El País Oriol Jorba, especialista em poluição atmosférica do Centro de Supercomputação de Barcelona, há uma primeira conclusão sobre a melhoria da qualidade do ar que é irrefutável.
A conversa surge a propósito do estudo que a sua equipa de investigação publicou esta quarta-feira na revista Nature, depois de analisar os efeitos dos confinamentos – e da consequente redução do tráfego automóvel – em 46 grandes cidades europeias, nos primeiros seis meses da pandemia.
Entre outras conclusões, aquele grupo de cientistas estima que qualquer coisa como 832 mortes foram evitadas naquelas cidades, durante o início de fevereiro e o final de julho de 2020, graças à melhoria da qualidade do ar. Isto depois de compararem os níveis de dióxido de azoto, ozono e outras partículas em suspensão naquele período com os valores registados antes disso.
Mais: segundo foi ainda possível apurar, a grande redução foi do dióxido de azoto, um composto químico diretamente relacionado com as cidades e o grande fluxo de tráfego rodoviário, associado também a graves problemas de saúde. As maiores reduções, assinala-se, foram sobretudo registadas no Sul da Europa – como quem diz, Espanha, França, Itália e também Portugal.
“A principal razão para a notável queda daquele composto é porque o seu principal contribuinte de emissões foi o sector mais afectado pelas restrições governamentais”, observa o estudo e como observa ainda Jorba: “Foram impostas medidas mais rigorosas no sul da Europa do que no norte”.







