Redes sociais associadas a ferimentos autoinfligidos em crianças e adolescentes

A exposição de crianças e adolescentes às redes sociais está significativamente associada ao aumento do risco de comportamentos de automutilação, com gravidade ligeira a moderada, alerta um estudo hoje divulgado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Executive Digest com Lusa

A exposição de crianças e adolescentes às redes sociais está significativamente associada ao aumento do risco de comportamentos de automutilação, com gravidade ligeira a moderada, alerta um estudo hoje divulgado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Uma equipa de investigadores examinou dezenas de estudos realizados em diferentes regiões do mundo, nomeadamente nos Estados Unidos da América, Reino Unido e China, e concluiu que as redes sociais estão associadas a ferimentos autoinfligidos, embora não se possa falar numa relação de causa-efeito.

O estudo final foi publicado em abril e, em comunicado, a FMUP cita os autores, segundo os quais “tem-se assistido a um aumento dos casos de crianças e adolescentes que infligem danos a si próprios de forma intencional, através, por exemplo, de cortes, arranhões ou pancadas, habitualmente em zonas do corpo acessíveis e fáceis de esconder, como pulsos, braços, barriga e pernas”.

Este é considerado um problema de saúde pública na adolescência.

Estes comportamentos autolesivos são “um mecanismo para aliviar emoções negativas e difíceis de lidar (como raiva ou ansiedade), expressar angústia, autopunir-se ou, mais raramente, punir outras pessoas”.

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Paralelamente, os investigadores alertam que tem crescido o uso das redes sociais, como o TikTok e o Instagram, o que alterou o modo como os jovens se relacionam entre si e com o mundo que os rodeia, a partir de idades cada vez mais precoces.

disponível, de modo a rastrear o tempo objetivamente gasto por estes nas redes sociais e estudar a importância do número de horas de exposição e o papel do género.

Assinam este trabalho Luís Guilherme Spínola e Irene Carvalho, da FMUP, bem como Cláudia Calaboiça, do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP).

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Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a utilização problemática das redes sociais está a aumentar entre os jovens europeus, que são também mais propensos a desenvolver o vício do jogo.

“Precisamos de uma ação imediata e sustentada para ajudar os adolescentes a parar a utilização potencialmente prejudicial das redes sociais, que tem demonstrado levar à depressão, ao ‘bullying’, à ansiedade e ao mau desempenho escolar”, afirmou o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, em comunicado.

Em 2022, 11% dos adolescentes (13% das raparigas e 9% dos rapazes) mostraram sinais de utilização problemática das redes sociais, em comparação com apenas 7% quatro anos antes, de acordo com dados obtidos junto de 280.000 jovens com 11, 13 e 15 anos de 44 países da Europa, Ásia Central e Canadá.

Os sintomas são semelhantes aos da toxicodependência: incapacidade de controlar a utilização excessiva, sentimentos de desistência e abandono de outras atividades em favor das redes sociais e consequências negativas na vida diária.

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