Redes de imigração ilegal em Portugal: Grupo de 40 imigrantes denuncia documentos falsos à AIMA

Um grupo de 40 imigrantes denunciou à Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) alegadas fraudes relacionadas com falsas autorizações de residência usadas para garantir trabalho em Portugal, sobretudo no setor da construção civil.

Executive Digest

Um grupo de 40 imigrantes denunciou à Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) alegadas fraudes relacionadas com falsas autorizações de residência usadas para garantir trabalho em Portugal, sobretudo no setor da construção civil. A maioria dos trabalhadores envolvidos é de nacionalidade colombiana e afirma ter sido recrutada através de promessas de regularização documental que acabaram por se revelar falsas, deixando-os numa situação de vulnerabilidade laboral e legal.

Segundo o jornal Público, que revelou o caso, os imigrantes terão entrado legalmente em Portugal como turistas, depois de lhes ter sido garantido que, à chegada às empresas contratantes, receberiam as respetivas autorizações de residência. Dois representantes do grupo disseram ao jornal que desconfiaram inicialmente das propostas, mas acabaram por aceitá-las. Já em território português, alegam ter descoberto a existência de intermediários que falsificavam documentos supostamente emitidos pela AIMA.

Os trabalhadores afirmam agora viver sob receio constante de perder o emprego ou de serem identificados pelas autoridades. “Estamos numa situação complicada, pois corremos o risco de ficarmos sem trabalho e de ainda sermos apanhados pela polícia”, relatou um dos representantes do grupo ao jornal. Os imigrantes contrataram entretanto um advogado com o objetivo de tentar provar judicialmente que foram vítimas de fraude e requerer autorização de residência ao abrigo do artigo 109.º da Lei de Estrangeiros, mecanismo destinado à proteção de vítimas de tráfico de pessoas ou de imigração ilegal.

A Agência para a Integração, Migrações e Asilo recusou confirmar a existência de denúncias concretas ou comentar eventuais investigações, invocando “dever de reserva e respeito pelas regras legais aplicáveis”. A agência esclareceu ainda que não exerce funções policiais nem de investigação criminal, sublinhando que situações suscetíveis de constituir crime, como alegadas falsificações de documentos, devem ser comunicadas às autoridades competentes. A AIMA acrescentou também que colabora com entidades policiais e judiciais sempre que lhe sejam formalmente solicitadas informações no âmbito das suas competências legais.

A especialista em direito internacional e questões migratórias Catarina Zuccaro explicou ao jornal que o artigo 109.º se aplica a cidadãos estrangeiros vítimas de infrações relacionadas com tráfico humano ou auxílio à imigração ilegal. A advogada frisou, contudo, que esta disposição “não é uma norma geral para regularização”, destinando-se antes a proteger pessoas em situação de vulnerabilidade associada a exploração laboral, redes de imigração ilegal, coação ou dependência económica e documental. Segundo a jurista, a lógica deste enquadramento legal assenta na proteção das vítimas e, em muitos casos, na cooperação com as autoridades.

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Os dados mais recentes do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostram um aumento expressivo dos crimes ligados à imigração ilegal em Portugal. Em 2025 foram registados 1.205 casos, o valor mais elevado da última década e um crescimento de 251,3% face ao ano anterior. As autoridades abriram processos contra 186 pessoas, mais 48 do que em 2024. O relatório refere ainda que a AIMA tem desempenhado um papel relevante na identificação de redes de imigração ilegal, incluindo esquemas de casamentos de conveniência para obtenção de autorizações de residência.

Perante o crescimento destes casos, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa tem reforçado campanhas de alerta dirigidas a cidadãos interessados em emigrar para Portugal, aconselhando prudência perante propostas demasiado vantajosas. As autoridades diplomáticas recomendam desconfiança em relação a promessas de viagens gratuitas, salários muito acima da média, habitação garantida ou facilidades documentais, alertando que “facilidade a mais” pode ser sinal de fraude ou exploração ligada a redes de imigração ilegal.

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