Recuperação da Europa: “Plano não pode ser nem um cheque em branco nem uma nova troika”, defende Costa

Os 27 países vão tentar alcançar um compromisso sobre o plano de recuperação económica e social da UE face à crise da covid-19.

Sónia Bexiga

“As propostas têm sido todas equilibradas mas algo inclinadas para os desejos dos quatro ‘frugais’ e o que está em jogo é encontrar uma resposta em que também eles têm de ceder. Porque o impacto desta crise afetou a todos, sendo que afetou mais alguns”, afirmou o primeiro-ministro, António Costa, esta segunda-feira, em Haia, no final da reunião com o seu homólogo holandês, Mark Rutte, no quadro dos encontros bilaterais que tem mantido com outros líderes europeus antes do Conselho Europeu de sexta-feira e sábado em Bruxelas.

Com a divisão entre os países a concentrar-se nas questões das verbas serem atribuídas mais por via de empréstimos do que de subsídios, António Costa afirmou que, conhecidos os pontos de vista de cada um, “importa encontrar pontos de convergência possíveis”.

Pontos estes que podem ser, como propôs agora o presidente do Conselho Europeu, a atribuição para já de 70% dos apoios e os restantes 30% para uma segunda fase, sendo certo que o trabalho que estamos todos a desenvolver é no sentido deste fundo assegurar resposta a todos, para que ninguém fique nas mãos dos caprichos de um só país, sem que ninguém fique livre de cumprir os compromissos comuns”.

“Como temos dito, o plano não pode ser nem um cheque em branco nem uma nova troika”, defende Costa, acrescentando que os 27 têm de conseguir combinar “a capacidade nacional de assumir os compromissos comuns e também haver a responsabilidade comum de atingir os objetivos daquilo que vai sendo construindo”. E estes objetivos, ressalva, foram anunciados pela Comissão Europeia e abrangem as necessidades da União mas também dão resposta ao que cada país manifestou necessitar.

“A chave agora estará sobretudo na forma como serão aprovados os programas e como serão executados. Ninguém aceita troikas  nem que seja um governo a dizer como vão ser as reformas de cada um dos países, e ninguém aceita que um parlamento nacional, seja ele qual for, faça depender o que acontece nos outros países, mas há formas de compromisso que são possíveis”, concluiu Costa.

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