Rebelião interna no PSD fragiliza liderança: distritais ‘viram costas’ a Montenegro e expõem divisão no partido

Vitórias de Carlos Eduardo Reis, em Braga, e de Ricardo Bastos Sousa, em Espinho, surgem como reveses políticos para a atual liderança

Revista de Imprensa

As eleições internas no PSD trouxeram novos sinais de desgaste para Luís Montenegro, com derrotas de figuras próximas nas estruturas distritais e concelhias, revelando fissuras no aparelho social-democrata, apontou esta segunda-feira o ‘Correio da Manhã’. As vitórias de Carlos Eduardo Reis, em Braga, e de Ricardo Bastos Sousa, em Espinho, surgem como reveses políticos para a atual liderança.

Em Braga, Paulo Cunha, considerado próximo de Montenegro e que chegou a ser seu vice-presidente no primeiro mandato à frente do partido, falhou a reeleição como líder da distrital. Apesar do apoio de Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, Cunha não conseguiu assegurar a continuidade. Carlos Eduardo Reis, vereador em Barcelos, venceu por uma diferença de cerca de 230 votos, ainda que apenas tenha conquistado quatro dos dez concelhos do distrito.

Reis tinha entrado na Assembleia da República durante a liderança de Rui Rio, com quem era politicamente próximo. Suspendeu o mandato em fevereiro do ano passado, após perder a confiança política da direção da bancada parlamentar, na sequência da acusação do Ministério Público no âmbito da “Operação Tutti Frutti”.

Também em Espinho se registou um desfecho com implicações internas. Ricardo Bastos Sousa foi reeleito presidente da concelhia, depois de, no ano passado, ter sido impedido pela direção nacional de avançar com uma candidatura à presidência da câmara municipal. Na altura, acusou o presidente do PSD de promover “um ajuste de contas pessoal”. A direção optou por apoiar Vítor Ratola, ex-adjunto do primeiro-ministro, que acabaria por ser eleito autarca de Espinho.

À frente da concelhia desde 2024, Bastos Sousa venceu agora por apenas dois votos, superando Carolina Marques, candidata apoiada por Carla Montenegro, num resultado que espelha a divisão interna.

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Outras eleições internas tiveram desfechos mais expressivos. No Porto, Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal, foi eleito líder da distrital com 93% dos votos. Em Lisboa, Ricardo Mexia, presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, assumiu a liderança da concelhia, substituindo Luís Newton, arguido no processo “Tutti Frutti”. Já em Setúbal, Paulo Ribeiro, secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, foi reeleito presidente da distrital com cerca de 80% dos votos.

No conjunto, os resultados revelam um partido com equilíbrios internos mais frágeis, onde as estruturas locais continuam a desempenhar um papel determinante na consolidação — ou erosão — da liderança nacional.

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