O responsável pela organização do espetáculo aéreo Air Invictus, agendado para 19, 20 e 21 de junho no Grande Porto, afirmou hoje que a realização da primeira edição deste evento “não está, nem nunca esteve, em causa”.
“A organização cumpriu rigorosamente todos os prazos e procedimentos aplicáveis aos pedidos de autorização necessários para a realização do evento, mantendo desde o primeiro dia uma articulação permanente com as autoridades competentes”, afirma Luís Castro, responsável máximo pela organização do evento.
Luís Castro respondeu assim, por escrito, a um pedido de esclarecimentos enviado pela Lusa depois de a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ter hoje anunciado que ainda não autorizou a realização do Air Invictus, porque o promotor apresentou alterações no início desta semana.
“A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ainda não proferiu decisão sobre o pedido de realização do evento aeronáutico em apreço, encontrando-se o mesmo em fase de avaliação técnica. Salienta-se que o promotor do evento apresentou alterações, no início desta semana, que abrangem diversos domínios”, explica o regulador da aviação civil, em resposta enviada hoje à agência Lusa, quando faltam nove dias para o início do festival.
Segundo a ANAC, “a avaliação em curso incide sobre as diversas atividades que o requerente [promotor] pretende integrar no evento aeronáutico”.
Em resposta, Luís Castro refere que, no âmbito desse processo, e na sequência de alterações operacionais normais em eventos desta natureza, a organização apresentou recentemente algumas atualizações ao programa, nomeadamente relacionadas com a substituição de pilotos e com ajustes de horários, salientando que estas alterações “não afetam a essência do evento nem o seu normal desenvolvimento”.
“A segurança é, e continuará a ser, a prioridade máxima da organização. Todas as alterações e ajustamentos são analisados e implementados em estreita coordenação com as entidades competentes, precisamente para garantir o cumprimento dos mais elevados padrões de segurança”, afirma o responsável pelo AIR Invictus.
Acrescenta que a organização esta “totalmente confiante” de que o Air Invictus “proporcionará ao público um programa de excelência, gerando forte retorno económico à região e mantendo intactos os objetivos e a dimensão do evento.”
Contudo, a ANAC disse à Lusa que “a decisão final será proferida após a conclusão da análise dos novos elementos apresentados e terá por base critérios exclusivamente relacionados com a segurança operacional, a proteção de terceiros (no solo e no ar) e o cumprimento do enquadramento legal e regulamentar aplicável ao evento e a cada uma das operações nele integradas”.
O regulador lembra que a sua atuação visa a “prossecução do interesse público na salvaguarda da segurança de pessoas e bens”, sublinhando que o princípio da segurança é “o seu objetivo primordial e orientador em todas as vertentes da sua ação regulatória e de supervisão, encontrando-se empenhada na concretização e garantia efetiva desse desígnio”.
Também em 08 de maio, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD), após uma reunião com a organização do Air Invictus e a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), revelou, em comunicado, que o evento ainda “não tinha a autorização definitiva para a sua realização”, por parte da ANAC.
No comunicado, a AAMTD adiantou que, de acordo com a informação transmitida pela organização, o regulador da aviação civil “apenas emitiria o seu parecer cerca de 15 dias antes da data do evento, agendado para 19, 20 e 21 de junho” no Porto, Gaia, Maia e Matosinhos.
Na ocasião, esta associação exigiu respostas e soluções, sublinhando que o facto de a ANAC vir a pronunciar-se cerca de 15 dias antes do evento era “estruturalmente inviável para operadores que planeiam a dois e três anos de antecedência”.
A AAMTD adiantou que a paragem total da navegação no Rio Douro durante os três dias do evento implicaria “perdas de milhões de euros para os operadores marítimo-turísticos, sem qualquer mecanismo de compensação definido”, acrescentando “não existirem locais alternativos para recolocar as embarcações, pois o encerramento do rio não tem solução logística conhecida”.
Fundada em 2018, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na Via Navegável do Douro, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor, promover a sustentabilidade da atividade e assegurar um diálogo institucional permanente com as autoridades competentes.



