Randstad Insight: O potencial das pessoas

Por José Miguel Leonardo | CEO da Randstad Portugal

A escassez de talento é um dos temas mais actuais, falado em conferências, debatido em mesas redondas e uma preocupação diária das empresas. Mas, quando falamos de escassez, estaremos nós a olhar para o prisma de uma forma errada?
A verdade é que a resposta à escassez pode estar num tema tanto ou mais relevante: a promoção da diversidade e inclusão em contexto profissional. É verdade que diversidade e inclusão fazem parte de um leque que abrange várias realidades mas foca-se numa grande problemática: devemos olhar para os profissionais pelas suas competências, pelo seu real valor e não para a cor da pele, a idade, o físico, a nacionalidade e outros temas que são vistos como obstáculos por quem não dá valor aos profissionais pelo ser, mas pelo parecer.
Mas felizmente as empresas estão cada vez mais atentas a esta realidade. Até porque segundo o Talent Trends report da Randstad, 51% dos profissionais portugueses não aceitariam um emprego se a empresa não mostrasse um esforço pró-activo em melhorar as suas práticas de diversidade e inclusão.
Uma percentagem que se traduz num acto de confiança. Cabe aos líderes traduzir estes números em planos de acção. Podemos até focar num exemplo, olhar para talentos séniores como uma oportunidade para trazer novos profissionais a bordo. Até porque a idade não traduz ambição. Se brincamos que os 30 são os novos 20, podemos também dizer que os 60 são os novos 50. Porque vejamos, estamos a falar de profissionais experientes, mas também com ambição e sentido de curiosidade, disponíveis a aprender e dar o seu melhor, ingredientes que só podem resultar no sucesso da empresa e do profissional. Não devemos olhar para a idade como uma limitação, mas como uma oportunidade de trazer profissionais com diferentes backgrounds e termos gerações que trabalham em conjunto para um amanhã melhor nas empresas.
Se as empresas são feitas de pessoas, estas pessoas têm diferentes histórias, idades, géneros, personalidades e nacionalidades. Mas todas têm algo em comum: um enorme potencial em transformar a sociedade e o futuro do trabalho. E se o dicionário e a história nos dizem que o potencial é inato e por vezes pode estar nas situações mais improváveis, esta é uma lição a reter por todas as organizações: há talento por descobrir e devemos ter um papel de responsabilidade na descoberta destes profissionais.
Mas cabe também às pessoas este papel activo, no sentido de aprender diariamente novas competências, acompanhar as tendências e garantir que são os verdadeiros profissionais do amanhã, do futuro que está à porta.
No final do dia, o potencial é o que todos os gestores de pessoas procuram para equipas de sucesso. Por isso, se os líderes estão determinados em resolver a escassez de profissionais no mercado, devem olhar para o desafio por outro prisma e trabalhar o tema da diversidade e inclusão, pois este é o primeiro passo para o sucesso. E valorizar, sempre e em primeiro lugar, o potencial das pessoas.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 199 deOutubro de 2022




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