Randstad Insight: O fim está próximo

Por José Miguel Leonardo | CEO Randstad Portugal

O fim da pandemia seria por exemplo um bom fim, mas o fim de uma relação, seja ela qual for, é sempre um mau final. O fim pode ser o pior ou o melhor dos nossos dias.

2021 está perto do fim e podemos olhar para ele, agora que está prestes a terminar, com bons olhos ou depositando em 2022 tudo o que ficou por fazer. Não deixa de ser uma injustiça para os meses que se seguem. A responsabilidade de atingirem tudo o que ficou por alcançar, como se partissem já atrasados, quando estão a tempo, ou melhor, no seu tempo. Se querem que vos diga, esta coisa de culpar os anos parece-me tudo desculpas, 2021 não tem culpa e 2022 também não vem já rotulado como um mau ou um bom ano, é mais um livro em branco. A culpa do que vai ser é sempre nossa, partilhada ou isolada, será com certeza uma mistura de sorte e azar, assim como justiças e injustiças. Mas nestes últimos 365 dias tenho a certeza que existiram sorrisos, algumas gargalhadas, surpresas e até momentos em que os olhos brilharam. E não interessa a quantidade, interessa sim garantir que estes são os que ficam, que o nosso álbum de recordações guarda todas estas fotografias sem filtro, com uma nota de rodapé para as aprendizagens adquiridas. Porque quando o coração encolheu, as lágrimas correram ou o mundo pareceu pesar nas nossas costas, soubemos reagir, soubemos andar para a frente e ganhar coragem para que o fim deste ano seja não mais do que um dia que se deixa acabar, para que outro comece.

As empresas são bons exemplos destes ciclos. Começam o ano com objectivos traçados e depois navegam, podendo deixar-se levar pelo vento ou tomar conta do seu destino, ajustando planos, remando contra as tempestades mas sempre com a visão de um destino. Um destino que pode até chegar antes do fim, mas que não termina com a viagem, onde já se consegue sonhar com a próxima paragem, mantendo sempre a vontade de navegar.

Se o princípio do ano nos motiva, o fim não nos deve desmoronar. Deve ser uma celebração, uma aprendizagem quando não há espaço para o sucesso, um legado que não nos retira os olhos do futuro, mas que não se esquece no presente. Chegar ao fim é também ganhar um momento de balanço, em que não só paramos para planear e desenhar novas estratégias, como paramos. Paramos e respiramos. Respiramos não no meio da loucura do dia-a-dia, mas parados a inspirar e expirar. Precisamos de o fazer. Fechar os olhos e curar as feridas, retocar algumas imprecisões e dar energia a todos os que estão ao nosso lado. Reconhecer o que fizemos e brindar connosco próprios, reconhecer o que fizemos bem e acreditar.

Amanhã começa um novo ano. O principio a seguir ao dia do fim. Começa o novo, o que é ao mesmo tempo refrescante, revigorante e cheio de promessas e sonhos para cumprir muitos deles ainda desenhados no que terminou, mas agora que estamos no princípio parece mais fácil de conseguir. Começar ou recomeçar precisa de um propósito, um plano para que sejam mais os dias que não queremos que cheguem ao fim do que os que insistimos em terminar mais cedo.

Se querem que vos diga, acho que valorizamos demasiado o princípio e o fim. Vivemos intensamente a angústia e a alegria do calendário como se dominassem o tempo, mas não dominamos. O que está no nosso poder é a capacidade de decidir o princípio e o fim, o nosso propósito e o que nos faz feliz. Este poder, ou melhor, este super poder deve ser aquele que não abdicamos, acreditando sempre que somos muito mais do que apenas cronologia.

Artigo publicado na revista Executive Digest n.º 189 de Dezembro de 2021

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